Iara Rennó apresentará no Recife as diferentes curvas de seu perfil artístico. A cantora paulistana sobe ao palco do Museu do Estado de Pernambuco neste sábado, a partir das 17h, quando cantará músicas de seus últimos dois discos, lançados simultaneamente em 2016 (“Arco” e “Flecha”), e outros momentos de sua trajetória, dentro do Ouvindo e Fazendo Música, realizado pelo Santander. “Vai ter um pouquinho de tudo”, diz Iara, que iniciou sua carreira nos anos 1990 e chegou a integrar a banda de Itamar Assumpção.

“Vai ter música de ‘Macunaíma’, de 2008, ‘Iara’, de 2013. Vou passar por músicas minhas que são conhecidas mas que eu não gravei, canções que nunca toquei em shows, como ‘Chuva’, conhecida pela gravação de Gaby Amarantos.

Tem gente que nem sabe que é minha. Fiz uma versão para tocar neste show. Como é a primeira vez que venho ao Nordeste, meu repertório é um apanhado para me comunicar melhor com as pessoas”, conta Iara, que passou por Natal, ontem, e canta hoje em João Pessoa.
A base do show está nos álbuns mais recentes, que ressaltam aspectos diferentes da personalidade artística de Iara. “Não foi um crime premeditado”, diz a cantora. “Eu ia fazer um disco, mas já vinha de muitos projetos paralelos. Eu tinha um show com as meninas Maria Beraldo e Mariá Portugal. Tenho também um trabalho com Curumin, Maurício Badé, Lucas Martins, Gustavo Cabelo, Maurício Fleury, Daniel Gralha e Cuca Ferreira”, detalha a cantora, sobre os músicos que a acompanharam respectivamente em “Arco” e “Flecha”.
“Até tentei juntar todo mundo, mas não funcionou. Eram duas linguagens distintas. Há uma relação de complementaridade. São duas vertentes minhas, uma que é mais rock e lírica, mais ligada ao erotismo, e outra que é a tradição das cantigas afro-brasileiras, o samba. Tenho essas influências, produzo essas vertentes. O lançamento em dois discos foi uma forma de dar vazão a tudo isso”, ressalta.
Discurso
A proposta musical de Iara se conecta com debates que crescem no País - cultura, identidade, gênero, miscigenação. “Acho só o fato de colocar esse discurso em músicas nós artistas estamos semeando o cerne da transgressão”, opina Iara. A gente precisa semear esse discurso, porque essa realidade vigente ignora a cultura, de modo amplo. A cultura brasileira é feita da união de diversos povos. Está na comida, na musicalidade, na língua“, diz a cantora.
“Meu trabalho tem essa mistura desde o início e é uma coisa orgânica. Tenho no meu sangue. Tenho preto, português, alemão, e isso se expressa na minha música. Isso aconteceu de forma orgânica e espontânea na minha produção. Está comigo desde criança, faz parte de mim. Sinto que são feridas abertas que precisam ser faladas, transformadas. Através da música espero semear esse germe da transgressão, para uma sociedade melhor”, ressalta.

Serviço > 
Show de Iara Rennó
Onde: Museu do Estado de
Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960,
Graças, Recife)
Quando: neste sábado, a partir das 17h
Ingressos: R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada)
Informações: (81) 3184-3174

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