Rossini Barreira acredita que a internet facilita a circulação da informação
Rossini Barreira acredita que a internet facilita a circulação da informaçãoFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Com e-mail e senha em mãos, qualquer pessoa com acesso à internet tem um espaço próprio para disseminar suas ideias. Assim, as redes sociais fizeram a revolução permitindo que leitores pautem grandes veículos e casos aparentemente particulares ganhem repercussão. A comunicação se faz hoje em via mão dupla. Nesse cenário, os profissionais do ramo, em especial os jornalistas, se inquietem com o incerto futuro da área. Na incessante busca para organizar esse emaranhado de acontecimentos é lançado nesta segunda-feira (20) o primeiro livro do Projeto Conexões no prédio do Porto Digital da rua do Apolo, nº 235. O coquetel tem início às 19h.

O projeto começou há um ano com reuniões entre equipes de peso: a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Porto Digital e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope). “Queríamos entender o que vem acontecendo, essa mudança rápida e radical que a internet trouxe para o jornalismo. Reunimos esses atores para primeiro entender o cenário de mudanças que vivemos”, pontuou o coordenador de comunicação no Porto Digital, Rossini Bandeira, que também assina um dos capítulos do livro.

“A publicação é uma forma de disseminar essas ideias e fazer esse conhecimento chegar a mais pessoas”, acrescenta. Neste ano outras reuniões e palestras vão acontecer entre Recife e Caruaru com convidados de outros estados e países para ajudar a construir cenários para que o jornalista se prepare para o que está por vir. “O que percebemos até agora é que as faculdades precisam atualizar seus currículos. É preciso discutir e incentivar a inovação, o empreendedorismo e gestão das notícias. Cada jornalista pode ser seu próprio veículo”, aponta. O conjunto de artigos e relatos profissionais sobre “Os Impactos das Novas Mídias na Comunicação” será vendido por R$20, e toda a arrecadação vai ajudar a financiar a segunda parte do projeto.

No prefácio do livro se coloca uma questão-chave: o jornalista empenha mais de um papel e, questionam: “até que ponto podemos aceitar essas mudanças?” Temos escolha? Quais as alternativas?

O que podemos escolher são caminhos. O caminho que eu quero tomar diante de uma informação na internet. Eu posso simplesmente replicá-las ou, se tenho formação, vou apurar antes de disseminar. Não é nem para ir contra, mas escolher um caminho. O que tem por trás daquela informação? Como posso transformar ela em notícia? Você como jornalista, como youtuber, como pessoa presente nas redes sociais tem que ter o mínimo de responsabilidade em saber se aquilo é verdadeiro antes de replicar. 

O jornalista não é mais o único produtor de notícias, então o que o diferencia?

É a formação do jornalista. O que mudou foi a plataforma, a linguagem - estamos buscando nos adaptar. Mas as pessoas ainda buscam a informação mais precisa, mais aprofundada. Por trás do nome de um grande veículo como Folha de Pernambuco o leitor sabe que vai ter uma equipe de profissionais que sabem pesquisar e investigar antes de afirmar algo. Tem credibilidade.

É comum hoje que um especialista faça um canal no YouTube. O que você acha desses especialistas que se tornaram independentes?

A internet facilita a circulação da informação. Você passa a ser emissor, mas isso também levanta alguns questionamentos: O que é notícia o que não é notícia? O que é noticia verdadeira e o que é noticia falsa? Pode acontecer por erro ou intenção, mas nem todos estão preparados ou comprometidos em fazerem esse trabalho. Estamos num momento de transição, cercados de muita informação, mas cada leitor vai selecionar aqueles em que confia, que sabe que pode confiar. Vai acontecer a haver uma filtragem que separe o que é joio do trigo.

Qual é o papel do jornalista hoje?

O papel do jornalista continua sendo o mesmo, o que mudou foi o formato. Nosso papel ainda é buscar a verdade.

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