Retrospectiva 2016 Sabores
Retrospectiva 2016 SaboresFoto: Folha de Pernambuco

A dois dias do final de 2016, fica a pergunta: o que marcou a gastronomia do Estado nesse calendário de 12 meses? Em nossa última edição do ano, trazemos um balanço da movimentação do mercado de restaurantes e cadeia produtiva ligada a ingredientes. Quem se beneficiou? Que produtos se destacaram? Que técnicas se sobressaíram, quais perderam espaço? A gente traz tudo de mais importante. Ah, e sem esquecer nossos votos de Feliz Ano Novo! Que em 2017, não falte comida para ninguém.

Na mesa ao lado, um grupo faz seu balanço de 2016. Em volta da comida, cada um constrói a análise sobre um ano turbulento. Essa ação é mesmo intuitiva em dezembro e corriqueira em tempos de confraternização na roda de bar, restaurante ou já na ceia de Natal. Uns comemoram ilesos, outros nem tanto. A conversa, daquelas que escapa para o outro ouvir, dá conta da crise e de suas perdas, mas também da transformação que veio por conta dela e do sinal das próximas tendências. Soa familiar a qualquer um, inclusive a quem se envolveu com gastronomia nos últimos meses. Nessa área houve mudanças, surgiram, então, alternativas. Basta retomar o papo dessa cena nada fictícia para ver que tem ainda mais pano para a manga.

Veganismo

Do outro lado do balcão, um grupo se fez mais presente do que nunca. A comunidade vegana e a filosofia de não compactuar com a exploração animal, ao abolir qualquer alimento com essa origem, gerou uma verdadeira corrida de chefs e empresários na criação de cardápios e outros produtos que atendessem essa demanda. Embora se trate de uma ampliação ainda em processo, se comparada com São Paulo e seus 30 estabelecimentos veganos, identificados pela Sociedade Vegetariana Brasileira, o movimento já se faz presente por aqui, obrigado!

Para se ter uma ideia, o óbvio do peixe cru na culinária japonesa abriu espaço para uma criação cheia de técnicas na cozinha do restaurante Quina do Futuro, do chef André Saburó. Por lá, foi criado um combo de 12 sushis veganos, com pares de berinjela, tomate, cenoura, beterraba, pepino e cebolinha. Um alento saboroso a quem procura esse cuidado com o tema. Assunto, aliás, discutido em eventos que pipocaram pela Cidade, como a primeira edição do Festival Vegano no Recife, realizado na Facul­dade Santa Helena, no bairro da Madalena, instituição que também iniciou a primeira pós-graduação em Nutrição Vegetariana no Recife.

Breja da boa

Sob o lema do bem-estar, surgiram produções caseiras para qualquer intenção na cozinha. Temperos frescos, sucos naturais, saladas orgânicas e tantas outras ofertas sem grandes formalidades ganharam espaço na internet em páginas na rede social, com pedidos on-line ou via WhatsApp. Até mesmo um produto final e tão popular como a cerveja parece ter encontrado por aqui seu público cativo, curioso pelo mote artesanal - em quanto no Sudeste essa é uma realidade consolidada de outra época. “Houve um boom significativo, com ampliação de mercado por meio de novos pontos de venda, como casas especializadas, hotéis e lojas de conveniência. Apesar da recessão, o pernambucano se mostrou disposto a beber menos, porém melhor”, explica o sócio da primeira cervejaria local, Eduardo Farias, da Debron.

Nem tudo é Mc

Quem também cravou seu lugar ao sol foram as hamburguerias e seu capricho no preparo da carne. É só olhar a mudança em grandes redes como McDonald’s, que lançou a linha Signature, com carne mais suculenta e molho suave. Transição previsível para Renato Romariz, do MôVei Food Truck, que fecha o ano com o incremento de 40% no faturamento em relação a 2015. “A indústria sentiu a migração do consumo por esse produto que se associa também à saudabilidade”, conta.

Food Parks
Para abrigar ideias como a de Renato, surgiu outra necessidade. Os food parks reúnem diferentes operações no mesmo terreno, resolvendo o problema de autorização para os trucks estacionarem pela cidade. Basta circular na Região Metropolitana do Recife para ver 22 espaços assim, quando no início de 2015 havia três, segundo a Associação de Comida Sobre Rodas de Pernambuco. “A expectativa é dobrar esse número em 2017”, completa a vice-presidente da entidade, Lilia Carvalho. Entusiasta do modelo de negócio, André Vita, idealizador do Na Rua Tem e integrante do Truck Hou­se Madalena, diz que a crise motivou esse crescimento. “O público precisava de opções para gastar, porque na crise você não deixa de consumir totalmente, mas muda o foco para gastos menores”, avalia.

Retrospectiva 2016 Sabores
Retrospectiva 2016 SaboresFoto: Folha de Pernambuco
Cerveja artesanal
Cerveja artesanalFoto: Paullo Allmeida/ Arquivo Folha
Sushi vegano de Sabur¢
Sushi vegano de Sabur¢Foto: Leo Motta/Folha de Pernambuco
Hamburguer
HamburguerFoto: Leo Motta/Folha de Pernambuco

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