Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A AIDS continua sendo um muito importante problema de saúde pública no mundo. Apesar de referências anteriores a doença passou a preocupar quando do surgimento de muitos casos em 1981. Desde então, grandes quantidades de recursos e pesquisas tem sido investidos para enfrentar o problema. Porém, ele encontra-se num estágio muito inferior ao que seria desejável. A síndrome é causada por um vírus, o HIV, que uma vez no sangue do portador invade uma célula, a CD4 aonde se multiplica e a destrói.

Este tipo de célula é muito importante para nossas defesas. Uma pessoa sem a doença tem entre 500 a 1.500 delas em cada centímetro cúbico de sangue. Com a destruição delas sua quantidade vai progressivamente diminuindo. Quando o número atinge 200 ou menos, a nossa imunidade está muito comprometida. Isto acontece principalmente nos pacientes que não vem sendo tratados. Apesar de ainda estarmos longe de solucionar o problema da AIDS, muitos progressos têm sido feitos. O mais importante deles foi a descoberta de uma terapêutica eficaz. O tratamento com antivirais modificou substancialmente o prognóstico destes doentes.

De uma condição em que o diagnóstico equivaleria a uma sentença de morte a ser cumprida nos próximos anos, os medicamentos fizeram que ela se tornasse uma doença crônica. A sobrevida dos pacientes passou a ser semelhante à de uma pessoa sem a doença. Os resultados são tão melhores quanto mais precoce a terapêutica for iniciada. A forma de transmissão se dá pelo contato com líquidos corporais de uma pessoa infectada. E, como o sangue e o esperma são os líquidos que contem maior quantidade de vírus, são eles os maiores responsáveis pela sua disseminação.

Também, o leite materno tem uma grande capacidade de transmissibilidade. Assim, o grande número de casos de AIDS era adquirido através de transfusões de sangue não corretamente examinado, do uso de agulhas compartilhadas por usuários de drogas, de tatuagens feitas com material infectado, dos coitos anais e vaginais não protegidos, etc. Nos casos dos coitos a probabilidade de contágio é principalmente para o agente recebedor. Existe uma discussão se as secreções vaginais também têm a capacidade de transmitir a patologia. Assim o agente penetrador no coito vaginal poderia adquirir AIDS através desta prática.

Também é importante esclarecer, inclusive para diminuir a discriminação com os aidéticos, que não se contrai a doença em várias outras condições. Nos assentos das toaletes dos banheiros, nos beijos, nas lágrimas, no contato da pele íntegra com o sangue infectado, etc. A terapêutica com os antivirais, não só prolonga de maneira muito importante a sobrevida, mas também diminui a transmissibilidade. E no caso da gestante aidética se reduz a chance em mais de 90% da transmissão para o feto.

Também, o tratamento iniciado em até 72 horas após um contato com o doente reduz em quase 90% a possibilidade do surgimento e progressão da AIDS. O nosso sistema imune é também essencial para nos proteger do surgimento de tumores. Assim, além das chamadas infecções oportunistas, que são muito mais frequentes e graves nos aidéticos, a incidência de alguns câncer é aumentada. O Sarcoma de kaposi e o Linfoma não Hodking, são os mais frequentes.

* Ney Cavalcanti é médico endocrinologista e escreve quinzenalmente neste espaço, alternando com a nutricionista Solange Paraíso.

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