Alimentação compulsiva
Alimentação compulsivaFoto: Arte/Folha de Pernambuco

Comer além da conta pode ser um indicativo bem mais preocupante do que diz a expressão “ter o olho maior que a barriga”. Na verdade, é sinal de alerta, por ser um dos sintomas do Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), caracterizada pela ingestão de uma quantidade exagerada do alimento em curto espaço de tempo. E isso se repete por dias e até horas, quando o indivíduo perde a completa noção do que está ingerindo ao se tornar refém da própria comida.

É como se não houvesse limite, mesmo com a sensação de saciedade e de desconforto abdominal. Forma que muitos encontram de aplacar a ansiedade, distraindo o pensamento em colheradas preenchidas de sabor marcante, muitas vezes à base de sal, açúcar ou gordura. Segundo o professor, médico psiquiatra e psicanalista Mario Louzã, durante o episódio de compulsão alimentar, a pessoa se sente incapaz de controlar a ingestão excessiva, mesmo sabendo que está agindo fora do padrão habitual de alimentação. “É comum o indivíduo preferir comer sozinho, sem ninguém olhando, pois ele se sente culpado e envergonhado quando se dá conta do quanto comeu”, completa.

No entanto, o preço que se paga é altíssimo, pois essas pessoas estão sujeitas a uma série de doenças que começam com o sobrepeso e passam por distúrbios emocionais como depressão, síndrome do pânico, transtorno bipolar e baixa autoestima. “Os portadores de TCAP normalmente apresentam índice de massa corporal acima do adequado, levando-os a desenvolver síndromes metabólicas, que inclui obesidade, diabetes, hipertensão arterial e glicemia alterada”, diz a nutricionista Edlanne Firmino.

O tratamento adequado inclui atendimento multiprofissional com especialistas de nutrição e psicologia atuando de maneira conjunta. “O processo pode ser medicamentoso, com antidepressivos e químicas que reduzam a compulsão alimentar”, reforça a nutricionista. De acordo com um estudo da Universidade de Munique, na Alemanha, a melhora dos pacientes acontece durante a terapia, com estabilidade em cerca de quatro, cinco ou seis anos ao término do tratamento, dependendo da gravidade da situação.

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