Solange Paraíso
Solange ParaísoFoto: Alfeu Tavares

Em 14 de novembro se comemora o Dia Mundial do Diabetes, com o objetivo de esclarecer acerca dos cuidados para prevenir e controlar esta doença que acomete boa parte da população no mundo todo. O diabetes, em si, é a manifestação clínica resultante da diminuição (ou quase inexistência) na produção do hormônio insulina, pelo pâncreas. Sem a insulina, a glicose se acumula na corrente sanguínea ao invés de entrar nas células para gerar energia. Os tipos de diabetes variam: tipo I (quando, por designação genética, o pâncreas fabrica pouca ou nenhuma insulina), tipo II (o pâncreas fabrica insulina, mas ela não chega de forma eficiente aos tecidos e órgãos) e o diabetes gestacional (condição transitória que pode se constituir em fator de risco para o diabetes tipo II propriamente dito, após alguns anos).

Para o surgimento do diabetes do tipo II a hereditariedade importa, porém os fatores de risco mais significativos estão ligados ao estilo de vida, como a obesidade. Manter o peso adequado é a medida que exerce grande influência na prevenção e no controle da doença e em suas prováveis complicações. A obesidade é o acúmulo de gordura corporal proveniente do balanço entre a ingestão e o gasto de energia pelo indivíduo; por isso, os cuidados com a alimentação se encontram focados no aconselhamento para o consumo reduzido de carboidratos simples (o açúcar refinado contido em doces, sobremesas, sorvetes, etc.), e o que é acrescentado às bebidas pela indústria (refrigerantes, néctares, sucos em caixinhas, em garrafas, etc.), os quais são facilmente digeridos e absorvidos sob forma de glicose, chegando rapidamente à circulação.

 As frutas, as verduras e os legumes possuem carboidratos simples, porém possuem fibras, também; estas retardam a absorção da glicose, evitando os picos de concentração na corrente sanguínea. Daí, a orientação para o consumo diário de pelo menos três porções de frutas com menor teor de açúcar - in natura, de preferência (laranja, maracujá, melão, limão, acerola, caju, etc.,) - e duas a três porções de verduras cruas e cozidas (em saladas, sopas, no feijão, etc.). Se estas frutas e verduras forem consumidas fazendo parte de refeições com outros alimentos, melhor ainda. Os grãos integrais de cereais (arroz, aveia, milho, trigo, centeio e cevada), as leguminosas (feijões, soja, ervilha, lentilha e grão de bico) e as sementes (linhaça, gergelim, girassol, etc.) são também excelentes fontes de fibras e devem fazer parte da alimentação diária de pessoas com e sem diabetes.

Para a substituição do açúcar no adoçamento das preparações foram desenvolvidos os chamados adoçantes artificiais, ou edulcorantes. Cabe, porém, o uso moderado destas substâncias, uma vez que são consideradas estranhas à biologia humana e seu emprego ainda suscita muita polêmica, mesmo entre os cientistas. A medida preventiva quanto a possíveis efeitos acumulativos no organismo diz respeito a se estabelecer um rodízio na escolha dos diversos tipos existentes: ciclamato, sacarina, aspartame, estévia, sucralose, acesulfame, etc.

O fracionamento das refeições em volumes menores e com intervalos de tempo regulares é outra recomendação formulada pelos profissionais de saúde, e visa à distribuição de cotas de glicose ao longo do dia, sem os inconvenientes de picos ou baixas de concentração da taxa no sangue (hiper e hipoglicemia, respectivamente). No mais, a ingestão diária de boas fontes proteicas (carnes magras, laticínios com menor teor de gordura e ovos) e de gorduras como óleo de soja, de milho, de girassol, azeite de oliva, abacate, castanhas e nozes são regrinhas de alimentação saudável para todos.

* Solange Carvalho Paraíso é nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal. Contato: 9 8654.1611

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