Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é defensora dessa tese. Por que o cérebro humano é tão mais eficiente do que os dos outros animais? Por que os humanos dominam todas as outras espécies? Muitos anos atrás, achava-se que os cérebros dos mamíferos tinham um mesmo padrão citológico, ou seja, quanto maior o órgão mais células nervosas (os neurônios) teriam. 

Caso isso fosse verdadeiro, os animais com cérebros maiores teriam uma atividade cerebral mais eficiente. Isto obviamente, não é verdadeiro.
O cérebro de uma vaca pesa cerca de 400g, enquanto que o dos macacos apenas 80g, e estes últimos, com um órgão muito menor são capazes de realizar tarefas muito mais complexas. Uma outra suposição que caiu foi a de que os números de células nervosas seria proporcional ao tamanho da massa cerebral. Neste caso, os elefantes com cérebro de 6,3kg e as baleias com o órgão de 9kg teriam os cérebros mais ricos em neurônios e, consequentemente, os seres mais inteligentes da terra.
Nós, com o nosso cérebro que pesa entre 1,2kg e 1,5 kg, seríamos por eles dominados. Em outras palavras, em termos de inteligência, a dimensão do tecido cerebral não é documento. Conclusão obvia: nosso cérebro, apesar de ser bem menor, é muito mais eficiente. Também se achava que o tamanho deste órgão estaria relacionado com as dimensões ponderais do animal. Assim seria explicado o que acontece com as baleias. Porém, isto nem sempre é constatado.
Os orangotangos, que che­gam a ser três vezes maiores do que o homem, têm um cérebro muita ve­zes menor. Uma outra constatação muito importante foi a descoberta das diferenças das necessidades energéticas deste órgão. No ho­mem, o cérebro represen­ta cerca de 2% do seu pe­so corporal, mas consome 25% da energia ingerida. Cerca de 500 calorias diárias. Nos outros animais, o gasto desse órgão é muito menor - menos de 10% do valor calórico da alimentação. Por que isto acontece?
A composição do tecido cerebral é diferente nas várias espécies. Nos humanos, a quantidade de células nervosas, os neurônios, é muito maior para uma mesma área comparada com outros animais. A diferença é monumental. Caso tivéssemos a mesma quantidade de neurônios por grama de tecido cerebral que têm os roedores, para termos os mais de 80 bilhões de células nervosa que temos, o nosso cérebro teria que pesar 89 toneladas.
A massa cerebral da raça humana tem dimensões comparáveis aos animais primatas. Ora, se temos um cérebro com dimensões semelhantes a esses animais, por que somos tão mais inteligentes? A diferença novamente é explicada por con­ta de termos um número muito maior de neurônios. E por que a natureza nos proporcionou esta tão benéfica vantagem? A resposta parece estar na alimentação.
Os neurônios necessitam de muita energia. E os outros animais não têm a capacidade de suprir as necessidades de uma população grande dessas células. Isto porque, neles, a ingesta é exclusivamente de alimentos crus. E por consequência não são capazes de suprir a grande demanda energética de uma grande população de neurônios cerebrais.

 Como resultado, a quantidade destas células tem que ser limitada. O descobrimento de cozinhar pelos nossos antepassados, cerca de 1,5 milhão de anos atrás, foi o grande responsável por poder termos um cérebro muito mais eficiente.
O ato de cozinhar é uma ação de pré-digestão dos alimentos. A comida pode ser facilmente mastigada, e o que é mais importante, ser melhor absorvida. A quantidade de energia fornecida por um alimento cozinhado é pelo menos três vezes maior do que se ele fosse ingerido cru. Resultado: o homem alimenta facilmente os seus famintos neurônios. Assim, o cozinhar que foi fundamental para nossa inteligência, também vem contribuindo para estarmos pesando mais do que deveríamos. Por outro lado, caso você queira emagrecer, co­ma alimentos crus.

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