Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Esteatose hepática é o nome científico que se dá quando o nosso fígado apresenta uma quantidade exagerada de gordura. É uma condição extremamente frequente. Raro é o dia que um endocrinologista ou um hepatologista não receba o paciente com esta patologia. Uma causa conhecida há muitos anos é a ingesta elevada de álcool.
Porém, na maioria dos pacientes com esteatose não existe este dado. Grande parte dos seus portadores tem excesso de peso. E muitos deles têm tendência ou já são diabéticos.

 Entretanto, alguns indivíduos de peso normal também apresentam quantidades excessiva de gordura hepática. A esteatose do fígado é mais frequentes em alguns grupos raciais.
Exemplo. Nos Estados Unidos é mais encontrada entre os hispânicos do que nos brancos e afro-descendentes. O mecanismo mais aceito, para que a quantidade de gordura no fígado aumente, é a da resistência periférica à ação do hormônio insulina. Alteração hormonal, que acontece nos portadores de excesso de peso, às custas principalmente do aumento da gordura abdominal. Esta modificação da ação hormonal também acarreta o surgimento de hipertensão arterial, elevação dos triglicerides, tendência ou o surgimento do diabetes.
Por conta disso, a maioria dos portadores de esteatose hepática também apresentam algumas destas condições. Porém, como ela pode ser encontrada em indivíduo de peso normal e, consequentemente, sem resistência à insulina, outros fatores ainda não descobertos devem estar envolvidos na sua etiologia.
O diagnóstico é realizado pela ultrassonografia abdominal e avaliação bioquímica. Essa avaliação tem duas finalidades. Verificar a intensidade das repercussões que o excesso de gordura está trazendo sobre as células hepáticas, como também afastar outras causas capazes de acarretar alterações no figado.
Excluídas de outras causas, estabelece-se o diagnóstico. Na maioria das vezes, esse excesso de gordura hepática evolui sem trazer maiores transtornos aos seus portadores.

No entanto, em alguns poucos casos a doença evolui. Esteato hepatite, fibrose e até para cirrose hepática. Podem ocorrer, para que se possa avaliar o estágio em que o problema se encontra, além das dosagens bioquímicas, outros métodos de imagem podem ser usados, o fibroscam e a ressonância magnética. No entanto, o melhor é a biopsia hepática.
Como o mecanismo mais aceito para a doença é a resistência à insulina, e como quase sempre é decorrente do excesso de peso, perder peso é a mais importante conduta. Além disso, um outro recurso com esta finalidade: a realização de atividades físicas regulares. Várias drogas capazes de diminuir a resistência insulínica têm sido usadas.
Metformina, exanatide, insulina e as glitazonas, estas últimas são as mais potentes na diminuição da resistência ao hormônio. Porém, existem dois problemas com este tipo de medicamentos.
Em primeiro lugar, fazem o paciente ganhar peso, efeito altamente indesejável para este tipo de doente. Além disso, das duas desse tipo de droga que existiam, usadas no tratamento do diabetes, uma delas foi retirada do mercado por causar maior número de mortes por eventos cardiovasculares. Ainda existe um certo temor que a outra também possa isto acarretar. “Aos meus poucos, mas muito queridos leitores, votos de Feliz Natal e ótimo Ano Novo. Até fevereiro!”.

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