Solange Paraíso
Solange ParaísoFoto: Alfeu Tavares

Na 2ª atitude sugerida pelos especialistas consta: “ao iniciar as compras, escolha inicialmente os alimentos in natura ou minimamente processados para, depois, procurar os demais itens da lista”. Tal recomendação está focada na escolha dos alimentos que se encontram no estado mais próximo possível do original, em que nada foi acrescentado que lhes possa modificar a composição nutricional nem suas propriedades naturais de conservação. Quando se destaca “para, depois, procurar os demais itens da lista”, quer dizer que a população deve resistir aos apelos de consumo dos produtos industrializados, os quais, pelo seu maior tempo de vida na prateleira, se prestam à praticidade de estocagem e preparo.

Obviamente, devemos estar atentos ao tempo de circulação dentro do estabelecimento de compra com os itens mais perecíveis fora dos ambientes que lhes preserve a temperatura ideal de conservação, como frutas, verduras, carnes, etc. Na realidade esta indicação é mais conceitual: pessoas orientadas e organizadas podem buscar os alimentos nos diversos setores de um mercado, supermercado ou mercearia com base numa lista feita antes e essa lista deve ser redigida colocando os alimentos em blocos: carnes, laticínios, hortifrutigranjeiros, cereais e grãos, conservas, etc.

É comum a ideia ou o desejo de garantir um aprovisionamento de gêneros alimentícios por largo tempo, abastecendo quantidades maiores e espaçando o período de volta às compras. Esta pra­ticidade é válida, mas pode se transformar na tentação de usar os alimen­tos processados e ultraprocessados com muito maior frequência, em detrimen­to daqueles que são, sabidamente, mais sau­dáveis. Os alimentos in natura requerem mais tempo de cuidado, que vai des­de a seleção no próprio local da compra até o preparo propriamente dito. O valor nutritivo e as várias opções culinárias dos alimentos in natura fazem valer a pena o trabalho citado, e as famílias devem se organizar para racionalizar o tempo livre para a tarefa.

O apelo de consumo de produtos processados e ultraprocessados é tão grande que as padarias e as quitandas destinam hoje em dia boa parte da sua área física para prateleiras de produtos “ nada a ver” com a proposta in natura. Uma salada de vegetais pode ser temperada com limão (ou vinagre), azeite e ervas, porém a oferta de molhos industrializados ricos em sódio, em gorduras menos saudáveis e em aditivos químicos traz uma opção que pode se transformar em hábito de consumo equivocado.

Há muitos que julgam imprescindível a adição de temperos, molhos e outros ingredientes de fabricação industrial para o sucesso de algumas receitas, sem tentar antes a criatividade no uso dos sucos, caldos de carne e de legumes, caldas e cremes feitos com alimentos naturais. Tem coisa pior do que se oferecer um sanduíche “natural” com atum, ervilha, milho verde, maionese e catchup, todos em conserva? Ou, ainda, inventar o acréscimo de leite condensado para receitas de comidas regionais como arroz doce e munguzá? É claro que o incremento de receitas com tais ingredientes que realçam o sabor será bem vindo, porém a questão é o risco de se tornar hábito regular de alimentação, sobretudo para crianças e adolescentes, que estão crescendo sem as referências de suas raízes culturais, muitas vezes... (*) Dicas completas aqui.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: