Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Demência é uma condição que acarreta declínio acentuado da atividade mental, severa o bastante, capaz de impedir que uma pessoa exerça suas atividades normais. Memória, julgamento, raciocínio, aprendizado, linguagem, etc, podem ser acometidos. A demência acontece principalmente nas pessoas com mais de 60 anos e mais anda nos que já passaram dos 80.

Como a humanidade está vivendo cada vez mais, o número de pessoas dementes não para de crescer. Calcula-se que hoje existam no mundo mais de trinta e cinco milhões com o problema e o que é pior, em 2050 deverá ser o dobro. Os medicamentos atualmente disponíveis são apenas capazes de diminuir alguns sintomas e promover um retardo discreto na sua evolução.

As principais patologias que podem causar demência são a doença Alzheimer e Arterioesclerose cerebral. Na primeira existe o aumento de uma proteína no cérebro, a beta-amiloide, que se deposita em forma de placa no tecido nervoso, levando a morte dos neurônios. Porque o aumento dessa substância acontece e as formas de preveni-las são desconhecidas? Na arterioesclerose, a diminuição da irrigação das células nervosas são a causa do problema. Durante muito tempo se pensou que os casos de demência aumentavam, não só por conta do envelhecimento, mas porque sua incidência era cada vez maior. A incidência é o percentual de doentes para cada 100 idosos.

No entanto, em 2005, pesquisadores de um Centro de Estudos Demográficos nos Estados Unidos afirmaram o contrario: a incidência da demência, número de casos para cada 100 idosos. estaria diminuindo. Esta afirmação deixou a comunidade científica surpresa e incrédula. No ano passado, um pesquisador chamado de Satizabal e colaboradores analisaram o problema nos Estados Unidos durante várias décadas.

Na década de 1970, o percentual de dementes foi 3.6 para cada 100 pessoas, com idade avançada. Em 1980, o número caiu para 2.8, nos anos 1990 para 2.2 e na 1ª década deste século foi ainda menor: 2.0. Sem dúvida, a redução da incidência foi muito grande, cerca de 20% para cada 10 anos. Este resultado fez surgir um grande problema, descobrir o porque isto vem acontecendo.

Vários fatores foram apontados: melhor educação da população, mais cuidados com a saúde, melhor tratamento para hipertensão e para o colesterol elevados com as estatinas etc... São hipóteses, suposições.

Será muito importante descobrir a real ou reais causas que fez isso acontecer. Investiríamos em médicas preventivas. Porém, algumas limitações desse estudo devem ser consideradas. Ele foi feito exclusivamente com a população americana. Estará isto ocorrendo em outros países? Por outro lado, é bom que se considere que mesmo que a incidência da demência diminua, ou seja, o número de doentes para cada 100 idosos, a prevalência continuará crescendo. Afinal, cada vez mais pessoas ultrapassam os 60 anos.

* Ney Cavalcanti é médico endocrinologista e escreve quinzenalmente
neste espaço, alternando com a nutricionista Solange Paraíso.

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