Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

 

O testículo tem um padrão de funcionamento muito peculiar. Ele tem um papel muito importante na vida intrauterina, quando promove, através da secreção de hormônios, a diferenciação da genitália para o padrão masculino. Após o nascimento, ele passa um período de anos praticamente quase sem secreção hormonal. Esta “pausa” é interrompida com a chegada da puberdade, que ocorre geralmente entre 8 e 15 anos de idade, nas crianças do sexo masculino. Uma vez reiniciada a produção de hormônios, rapidamente aumenta até atingir o máximo no fim da adolescência e começo da vida adulta.

É a testosterona, o seu principal hormônio, o maior responsável pelas transformações corporais que ocorrem nesta época da vida. Aumento da ritmo do crescimento, aumento da massa muscular, alteração do timbre da voz, aumento das dimensões penianas, desejo sexual, ereções, surgimento dos pelos, etc. Uma vez atingido o pico da secreção da testosterona, ela permanece neste nível elevado até os 30, 40 anos.

A partir de então, a secreção deste hormônio reduz lentamente. Cerca de 1% ao ano.

Nos homens, a produção de testosterona que diminui anualmente é obviamente menor nos idosos. A maioria dos pesquisadores acha que a redução dos hormônios masculinos que ocorre com a idade avançada, não tem dimensão para acarretar sintomas. Em outras palavras, não existiria a andropausa. Nas últimas décadas pesquisadores tem afirmado que em alguns homens, esta redução é tão acentuada que causaria sintomas.

Calculam sua ocorrência em torno de 25% dos homens. Por conta disto, advogam que nestes casos a reposição de testosterona traria benefícios. Porém os resultados de muitos trabalhos científicos abordando o problema mostram controvérsias. Assim, enquanto alguns mostram benefícios, outros contestam, afirmando que mesmo quando eles existem são discretos e não justificaria os riscos dos efeitos colaterais. Os defensores do emprego de testosterona afirmam que ela melhora a libido, a função erétil, a massa muscular a vitalidade, o psiquismo, a sensação de bem estar etc. Além disto, argumentam que a terapêutica hormonal melhora os marcadores de doença cardiovascular.

Os críticos, por outro lado, argumentam que mesmo quando estes benefícios surgem, eles são discretos e pouco duradouros. Citam, inclusive, como exemplo, a melhoria da função erétil com testosterona. Mesmo quando existentes, são inferiores aos obtidos com os inibidores da fosfodiesterase (Viagra e similares). Mostram, entre os efeitos deletérios deste hormônio nos idosos, o agravamento do aumento benigno da próstata.

Além disto, apesar de não causar câncer desta glândula, este tratamento agravará esta doença, quando já existente. Entre outros efeitos colaterais, pode existir atrofia dos testículos, crescimento das mamas, maior probabilidade de trombose venosa, piora da apneia do sono, agressividade, etc. Existem tantos trabalhos científicos defendendo quanto criticando o emprego da testosterona nos idosos. A controvérsia persiste.

 

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