Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

 

“De todas as formas de desumanidade, a desigualdade no atendimento à saúde é a pior delas” (Martin Luther King).
O atendimento à saúde da população é um dos grandes problemas enfrentados pelos governos. Os seus custos não param de crescer. A evolução tecnológica ocorre com rapidez cada vez maior. Novos recursos diagnósticos e terapêuticos são bem vindos, mas também são os principais responsáveis pelos gastos sempre crescentes. Por outro lado o envelhecimento da população faz com que muitas doenças aumentem sua incidência.

Entre elas, o câncer, as doenças cardiovasculares e as demências. Patologias estas, cujos tratamentos são muito custosos. Nenhum país pode anunciar ter resolução plena da assistência à saúde de sua população.

Porém, existem os que melhor equacionaram este problema. Entre eles são sempre citados, entre outros, a Inglaterra, o Canadá e os países escandinavos. O sistema inglês, que oferece assistência universal à sua população, é sempre muito elogiado não só pela sua qualidade, mas também porque consegue isto a custos bastante razoáveis. No outro extremo, encontram-se os Estados Unidos. Unanimemente reconhecidos como o país que tem o maior gasto com a assistência à saúde e ocupa um lugar muito inferior em termos de qualidade do que seria de se esperar. É na América do Norte onde as pessoas com boa situação econômica dispõem dos mais avançados recursos da medicina.

Porém, é lá também onde milhões de cidadãos pobres não tem nenhuma cobertura governamental. Apenas as urgências médicas são oferecidas a todos os americanos do norte. Alguns presidentes americanos realizaram ações para atenuar o problema.

Os resultados, no entanto, não foram significativos. Quem tentou realizar uma ação de maneira substancial foi o presidente Barack Obama. Ele fez uma grande alteração no sistema de saúde americano no sentido de promover uma muito melhor assistência à população pobre. Foi denominado Obama Care. Infelizmente o presidente que o sucedeu, Donald Trump, foi eleito com a proposta de extinguir o programa recentemente implantado. Não satisfeito com a “maldade”, Trump nomeou para dirigir o departamento responsável pela assistência à saúde dos americanos, o HHS, um deputado chamado Tom Price. Suas atividades como parlamentar já demonstravam sua pouca preocupação com o social, principalmente com os menos protegidos.
Ele votou contra a melhor cobertura do plano de saúde às doenças mentais, contra o aumento da punição dos que praticassem violência contra a mulher. Foi contra o oferecimento de recursos aos fundos que se dedicam ao combate do AIDS, Malária e Tuberculose. Foi a favor da possibilidade de expulsar das instituições de saúde de expulsar os pacientes que não pudessem pagar a suplementação desses planos. Com este currículo, o atual chefe do HHS faz jus a ele. Demonstra nenhuma preocupação com o doente pobre, pelo contrário, a maioria das suas ações tem sido no sentido de dificultar a assistência médica aos que dispõem de menos recursos. Por outro lado, ao contrário do que seria desejável, suas medidas atuam no sentido de aumentar a renda dos médicos e dos planos de saúde privados. Para a população pobre americana, que já tem uma assistência médica muito deficiente, a situação tende a piorar.

 

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