Solange Paraíso
Solange ParaísoFoto: Alfeu Tavares

Há uns sete anos, pelo menos, fui pegada de surpresa com um convite: escrever quinzenalmente para uma coluna de jornal, a Folha de Pernambuco. As experiências com a mídia, até então, constavam de participações esporádicas em programas na rádio universitária da UFPE, em poucas mesas redondas na TV e respondendo a entrevistas em jornais. Numa destas entrevistas para a Folha de PE, eu respondera umas perguntas sobre alimentação para pessoas idosas. Na oportunidade eu questionara um estagiário sobre ter acesso ao texto elaborado pelo jornalista, antes de ser publicado. Aí, pela minha ousadia, talvez, a pessoa achou melhor eu falar ao telefone com Vanessa Lins, a editora do caderno onde a matéria se situava. Batemos um longo papo, e o convite surgiu alguns dias depois, em decorrência da impossibilidade da Nutricionista Flávia Carvalho continuar sua colaboração escrevendo artigos para a referida coluna.
O caderno se chamava Sabores, e a coluna, Vida Saudável - denominações felizes para um veículo de comunicação que trata de gastronomia. A princípio, aquilo tudo me surpreendeu porque, confesso, até então eu pensava nessa área com certo preconceito que remetia a supérfluos, para não dizer futilidades. Para quem tem acompanhado as matérias que escrevo, é notória a minha vocação para a Promoção de Saúde, herdeira que sou dos paradigmas da Saúde Pública idealizados pelos mestres Josué de Castro, Nélson Chaves, Guilherme Abath, Malaquias Batista, Naíde Teodósio e demais intelectuais que nos despertaram para o papel eminentemente social do profissional de Nutrição...

Bem, o desafio estava posto e aceito de pronto, porque a leitora voraz e a amante da escrita desde os cinco anos fora “cutucada com vara curta”, como se diz. Àquelas alturas, já formada em nutrição, eu já me investira da responsabilidade de traduzir a linguagem técnica para o vocabulário mais simples possível, treinado ao longo de muitos anos, na comunicação com a população assistida em nossas lidas profissionais. Restava somente conhecer as regras e o formato do texto, praticar a síntese (exercício constante de quem se assume prolixa no falar), e buscar inspiração para o primeiro artigo.

A inspiração veio após uma cena do cotidiano: mãe e filha escolhendo alimentos na área de hortifrutigranjeiros de um supermercado. Fui atraída pelo diálogo no qual se destacava o processo educativo: cada chamada dos itens da lista pela menina era seguida por explicações da mulher, sobre as características desta ou daquela verdura, fruta ou raiz que a pequena desconhecia. Nesta hora, a educadora em saúde que havia dentro de mim aguçou todos os sentidos e fui lá, interagir.

Quando corri para a banca, dias depois, e “degustei” A Folha de PE, me admirei da seriedade dos conteúdos, do capricho da arte visual, da lógica que permeava a variedade de seções e colunas do Caderno Sabores. Captei a modernidade dos temas e a competência da equipe para valorizar informações de produtos comerciais, ou divulgar “points” de gastronomia da Cidade e do Interior, sem aquele apelo meramente comercial. Isso requer trabalho duro, bem sabemos.

No mais, admito ter hoje um caso de amor nesta parceria. A experiência me realiza profissionalmente e vejo na tarefa a contribuição social, na medida em que compartilho o saber. Parabéns, Folha de PE, que venham mais dezenove anos de êxito na árdua missão de instruir!

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