Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A mais prevalente das causas de morte dos adultos é arteriosclerose, que provoca  o enfarte e o acidente vascular cerebral. No Brasil é a segunda que causa mais óbitos. Desde há muito se sabe da existência de condições que favorecem o surgimento e a evolução da arteriosclerose. Hipertensão arterial, Diabetes mellitus, tabagismo, Obesidade, sedentariedade, colesterol sanguíneo elevado entre elas. Por conta disso tem se tentado prevenir os seus surgimentos e tratá-los, quando necessário.

Quanto ao colesterol, temos tido nas últimas décadas um grande progresso. Graças, principalmente, ao surgimento de uma nova classe de drogas, as estatinas. O colesterol tem papel importante no nosso metabolismo. Para se tornar solúvel no sangue e por ele trafegá-lo, o colesterol necessita se ligar a outras substâncias. Formam-se, então, as lipoproteínas, que são os chamados transportadores do colesterol. As duas principais são a LDL e a HDL. Enquanto que a primeira é chamada do mau colesterol, a HDL é denominada o bom colesterol.

Todas as células de nosso corpo sintetizam esta gordura, mas para as suas necessidades elas necessitam de uma de suplementação que vem do colesterol produzido pelo fígado. É a LDL que faz este transporte do fígado para os tecidos. Ao chegar nas células a lipoproteína se liga à estruturas químicas chamadas de receptoras da LDL. E através delas, penetram no interior das estruturas celulares satisfazendo a suplementação. Caso existam mais LDL do que o necessário, o excesso se deposita nos vasos iniciando-se assim a arteriosclerose. A HDL faz o caminho inverso, retirando os excessos e trazendo de volta ao fígado. Assim quanto mais existir colesterol na HDL, mais eficaz está sendo a “limpeza”. Por isso, é que o HDL é o bom colesterol.

As estatinas atuam bloqueando a síntese de colesterol intracelular. Como consequência, a quantidade destas gorduras diminui, fazendo com que as células necessitem maior suplementação do colesterol proveniente do fígado. Elas, para obterem isso, aumentam o número de receptores para LDL. Como resultado haverá mais LDL dentro das células e menos na corrente sanguínea. Uma grande revolução para o tratamento das hipercolesterolemia ocorreu na última década. Inicialmente, descobriu-se a existência de uma proteína, a PCSK9, que está inclusive presente em vários tecidos. Ela é capaz de agir sobre os receptores da LDL diminuindo sua ação.

Então ocorre o contrário do que acontece com o uso de estatinas. Dificuldade da LDL penetrar nas células com consequente aumento na corrente sanguínea. Posteriormente se produziu um anticorpo que atua sobre a PCSK9 inibindo sua ação. Como consequência do aumento do número de receptores para LDL existe uma diminuição dos seus níveis no sangue. Alguns destes tipos de anticorpos já foram aprovados pelo FDA e pela Anvisa.

No Brasil, a droga é a Alirocumabe, cujo nome comercial é Praluent. A ação destas drogas é extremamente potente, reduzindo a LDL a níveis tão baixo que nunca haviam sido conseguidos. No entanto, elas ainda não são a primeira opção para o tratamento do colesterol elevado. Vários fatos devem ser considerados. Em primeiro lugar, é um medicamento novo não se sabendo ainda os seus efeitos colaterais a longo prazo. E outro dado muito importante é o seu preço, cerca de R$4.000,00 mensais. Assim o seu uso, sob supervisão médica só é hoje indicado quando não se consegue com as estatinas a redução da LDL a nível desejado ou quando elas causam importantes efeitos colaterais.

* Ney Cavalcanti é médico endocrinologista e escreve quinzenalmente neste espaço, alternando com a nutricionista Solange Paraíso

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