Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O diabetes é uma doença resultante da insuficiência da ação do hormônio insulina. São duas as principais formas clínicas: tipo 1 e tipo 2. O tipo 1 é muito menos frequente, representando cerca de 5% dos casos. Nesta forma clínica, a insuficiência é total por conta da destruição das células pancreáticas produtoras de insulina, as células beta.

Isto ocorre por conta de anticorpos produzidos pelo próprio paciente. Os motivos pelos quais existe esta produção de anticorpos ainda é motivo de controvérsia. No tipo 2, a insuficiência é relativa. A insulina é produzida mas não suficiente para as atuais necessidades. Na maioria dos casos, ela se apresenta em pessoas com excesso de peso.

Com a maior quantidade de tecido adiposo, desenvolve-se uma resistência a ação hormonal. Como resposta, o pâncreas tem que aumentar a secreção de insulina para vencer o obstáculo que se criou. Caso o órgão seja capaz de vencer o desafio, o metabolismo continua normal. Isto ocorre nos que têm excesso ponderal, sem diabetes.

Porém, nos casos em que exista história de herança desta doença, muitas vezes não conhecida, o pâncreas não é capaz de aumentar suficientemente a produção do hormônio. Desta maneira surge o diabetes do tipo 2. O mecanismo pelo qual a doença, às vezes, se desenvolve durante a gestação, é semelhante. Resistência periférica à ação do hormônio, aqui acarretada pela produção dos hormônios da placenta.

Essas são substâncias essenciais para o desenvolvimento fetal, mas também causam resistência à ação insulínica. Caso o pâncreas tenha capacidade de reserva suficiente, o metabolismo permanece normal. Quando o órgão não é tão competente como deveria, aparece o diabetes gestacional, que necessita ser tratado. Caso isso não aconteça de maneira adequada, surgirão repercussões negativas para o feto e para a gestante.

Em número razoável de gestações, cerca de 5% dos casos, isto ocorre. Por conta disso, é recomendável que durante o pré-natal, entre a 24ª e a 28ª semana, se investigue a possibilidade de sua existência. Essa avaliação é feita pela determinação da glicose sanguínea, após um jejum de oito a 14 horas. A outra maneira de realizar esse diagnóstico é determinar os níveis glicêmicos uma e duas horas após a ingestão de 75g de glicose. Com o parto, a secreção dos hormônios placentários não mais existe.

Como resultado, na maioria dos pacientes os seus metabolismos se normalizam, assim elas não permanecem diabéticas. Porém algumas delas continuam com a doença. Ressalta-se que as que ficam normais depois da gestação, provavelmente repetiram o mesmo problema numa próxima. Isto é o que ocorre nas mulheres que não tinham a doença antes de engravidar. Quando o diabetes já existe, a ação dos hormônios placentários obviamente vão agravar a doença. Como resultado desse cenário, haverá a necessidade de se reforçar as medidas terapêuticas. Quando a doença ocorre durante a gestação, ela poderá ser tratada apenas com dieta e exercício. Caso não se tenha a normalização metabólica com essas medidas, outros recursos poderão ser usados, como o uso de drogas orais e, se necessário, de insulina. Nas pacientes já doentes antes da gravidez, praticamente todas elas irão necessitar da administração do hormônio.

O controle metabólico que se recomenda é o mais rígido possível. Os níveis da glicose sanguínea que se tentam obter são, inclusive, menores do que para os diabéticos fora da gestação. Alguns recomendam que as pacientes diabéticas devem ter o maior controle possível mesmo antes de engravidar. Essa conduta diminuiria a probabilidade de maus formações congênitas - mais frequentes neste tipo de pacientes. Para se obter o controle nos níveis que são recomendáveis, quando se usa insulina, deverão ser feitas várias aplicações durante o dia ou utilizar a bomba de infusão contínua do hormônio.

Por conta da recomendação de um controle metabólico rigoroso, recomenda-se que sejam acompanhadas por diabetólogos, que são os especialistas nesta condição.

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