Solange Paraíso
Solange ParaísoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

Por ocasião da proximidade com o Dia das Mães, surgem algumas reflexões conectando-as ao papel de educadoras em saúde, também. Na maioria das civilizações modernas, sobretudo nas ocidentais, ainda são as mulheres as principais referências no cuidado das famílias, quer seja no sentido material, quer seja no afetivo. Se as famílias contiverem uma prole, é certo que estará aos cuidados das mães boa parte das providências relativas à saúde dos filhos, se bem que, nos dias de hoje (em boa hora!) os homens tenham se engajado de maneira razoável na rotina de cuidados daqueles.

Quando penso nas mães, evito enxergá-las daquela forma romântica tradicional, ilustrando os comerciais das campanhas publicitárias que as homenageiam no mês de maio. Prefiro vê-las, antes, como figuras de carne e osso, e sujeitas, portanto, às agruras de todo ser vivente (e haja agrura, quando se trata deste País que é uma colcha de retalhos de desigualdades). Da superação dos inúmeros desafios que a vida lhes impõe, surgem verdadeiras heroínas, as quais brindam a Humanidade com os seus exemplos.

Do ponto de vista físico, propriamente, a partir da fecundação o organismo materno tem os seus processos influenciados por hormônios que sinalizam mudanças importantes no metabolismo, com vistas a priorizar a formação e o desenvolvimento do novo ser. Em se tratando da nutrição, todas as necessidades deste “par perfeito” têm de ser supridas pela mãe, que é o ser autônomo do processo. A natureza, mediante a Lei de Preservação da Vida, “induz” ao equilíbrio, muitas vezes, à custa das reservas da própria mãe. Assim é com o cálcio “retirado” dos ossos da mulher gestante, e do ferro que é igualmente requisitado, levando-a, algumas vezes, à ocorrência de cáries mais sérias e de anemia, se não houver a ingestão adequada de alimentos ricos nestes nutrientes.

Quando nasce, a criança é dependente dos cuidados de outros. Nesta fase, o aleitamento ao seio a protege, garantindo a boa nutrição ao mesmo tempo em que a imuniza para inúmeras doenças, sem falar no vínculo afetivo necessário ao desenvolvimento psíquico. A partir daí, as mães conduzem a criança pelo mundo das experimentações, no qual cada alimento novo pode levar à formação de hábitos saudáveis. Para isso, os hábitos da própria família já constituem, em si, um patrimônio. É bom que a esses se agreguem outros, cuja base seja o conhecimento do valor nutritivo norteando as escolhas da família.

O grande desafio se dá quando a criança sai de casa em direção a outros locais e grupos de convivência. Mais uma vez, é a mãe que pode intermediar os novos contextos, provendo lanches e outras refeições saudáveis, organizando horários e colocando limites nos exageros de consumo induzidos por pessoas e instituições cujo zelo e ética difiram do que é posto pela família.

Quanto a todos os quesitos de saúde, as mães são as pessoas em quem mais os profissionais investem, na delegação dos cuidados da prole. Em muitas oportunidades, assisti a mulheres muito pobres absorverem e executarem orientações de educação para a saúde de suas famílias, obtendo resultados muito próximos das famílias de outros níveis sociais. Tais cuidados, e todos os bons frutos decorrentes, puderam se constituir no principal legado para o futuro daqueles que protagonizaram essas experiências...

* Solange Carvalho Paraíso é nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de
Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal. Contato: 9 8654.1611

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