Ney Cavalcanti
Ney CavalcantiFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O aumento do consumo de drogas ilícitas, nos vários países do mundo, tem sido uma luta sem sucesso. Medidas proibitivas do seu uso não têm trazido benefícios. Aprisionamento e punições econômicas são realizadas para quem as usem, ou mesmo para quem os porta. Nos Estados Unidos, durante muitos anos os usuários deste tipo de droga eram punidos com a perda da liberdade e uma multa de U$ 100 mil.

Apesar desta punição severa, o consumo continuou e continua aumentando. Dentre estas drogas ilícitas, a mais consumida no mundo é, disparada a maconha. Ela é conhecida universalmente como marijuana. Obtida de extrato de folhas de uma planta, a Canabis sativa. As substâncias deste tipo de extrato, os cabinoídes são formados principalmente por dois grupos: O THC e o CBD. O primeiro grupo é o responsável pelas sensações euforizantes, agradáveis. Ao passo que as do outro não têm este tipo de ação, só têm a ação medicamentosa que a maconha é capaz de produzir.

A tecnologia produziu uma Canabis que tem quase que exclusivamente a ação como medicamento. Para a grande parte da população, a maconha é capaz de trazer grandes benefícios sem apresentar os graves problemas que outros costumes, liberados, são capazes de causar. É o caso do cigarro e do álcool. Um outro argumento para liberação da marijuana é econômico. Por ser ilegal, são grupos de criminosos que a comercializam. Os lucros obtidos são fabulosos e isentos de impostos. Acredita-se que os negócios com esta droga gerem cerca de 5,7 bilhões de dólares, anualmente, só nos Estados Unidos.

Recursos obtidos com impostos pela sua legalização são comprovados pelo aumento da receita obtida por estados americanos que a liberaram. São muitos milhões de dólares. Isto tem feito com que um número cada vez maior de governos a legalizem. Recentemente, Washington, Oregon, Alaska, Colorado e Califórnia foram alguns deles que tomaram esta medida. Vários permitiram o uso da maconha apenas como medicamento. Enquanto que outros autorizaram também o seu uso como recreativo. Quais os benefícios terapêuticos que a maconha promove? Vários.

Epilepsia, sendo capaz de controlar e até fazer desaparecer as crises convulsivas, quando isto não foi obtido com medicamentos tradicionais; melhora importante das náuseas e vômitos que a quimioterapia antineoplásica causa; aumento do apetite e do peso corporal dos aidéticos; diminuição da pressão intraocular (glaucoma). Além disto, também tem ação anti-inflamatória e trata a cólica menstrual, etc. A ciência médica diz que muitas destas ações não têm comprovação e que medicamentos tradicionais são eficazes na terapêutica.

Entre os malefícios, há: diminuição da função cognitiva com repercussão sobre o QI, ansiedade, depressão. Aumento da probabilidade de desencadeamento de psicoses (esquizofrenia), aumento da chance de acidentes automobilísticos, porta de entrada para o uso de outras drogas, dependência, perda de peso, etc. Movimentos para liberação ocorrem em vários países, inclusive na América do Sul. Colômbia e Uruguai já liberaram. No Brasil, apenas se proibiu a prisão de portador de pequena quantidade da droga e se permitiu o seu uso como medicamento em situações especiais. Passeatas pela sua liberação são cada vez mais frequentes. Cada vez mais gente, inclusive importante, é a favor da sua liberação. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso advoga que seu uso seja liberado. E você?

veja também

comentários

comece o dia bem informado: