Entidades representantes do empresariado brasileiro e americano elaboraram uma proposta de acordo para reduzir as tarifas no comércio entre os dois países ao longo de dez anos
Entidades representantes do empresariado brasileiro e americano elaboraram uma proposta de acordo para reduzir as tarifas no comércio entre os dois países ao longo de dez anosFoto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O mercado brasileiro recuperou nesta sexta-feira (19) parte das perdas registradas no pregão de ontem (18), quando delações envolvendo o presidente Michel Temer assustaram os investidores e criaram uma sensação de incerteza que derrubou a Bolsa e fez o dólar disparar no país.
O dólar comercial fechou o dia com queda de 3,92%, para R$ 3,257. O dólar à vista, que encerra os negócios mais cedo, recuou 2,53%, para R$ 3,288. A Bolsa brasileira registrou valorização de 1,69%, para 62.639,30 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 13,5 bilhões, acima da média diária do ano, que é de R$ 8,3 bilhões.
Um dia antes, o pânico generalizado imperava nos mercados de câmbio e ações do Brasil. As notícias de que um áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, presidente da JBS, comprometeria Temer fez a Bolsa brasileira afundar 8,8% e acionar, pela primeira vez desde outubro de 2008, o mecanismo de circuit breaker, que interrompe as negociações.
O dólar, ativo a que os investidores recorrem em caso de incerteza, disparou 8%, para R$ 3,39. O CDS (credit default swap), medida de risco do país, subiu 29%, para 265,9 pontos -hoje, essa espécie de seguro contra calote recuou 7,05%. Nesta sexta, o dia foi de correção para o dólar e de ajuste para a Bolsa, embora em intensidade menor que a esperada pelo mercado, na avaliação de Luis Gustavo Pereira, analista da Guide Investimentos.
"Podia estar um pouco melhor, porque o exterior estava ajudando. E ainda tem muito desafio pela frente, porque não temos uma agenda do que pode ocorrer nas próximas semanas", diz. Segundo ele, o mercado deve continuar colocando um risco maior para o Brasil nos próximos dias.
"Não podemos desprezar nem um revés na aprovação das reformas nem um cenário adverso na política, com possível renúncia de Temer. Com isso, a Bolsa praticamente voltou ao patamar que estava no final de 2016", ressalta.
A dificuldade política para aprovar as reformas foi um dos fatores citados pela agência de classificação de risco Fitch para manter a nota de crédito do Brasil em grau especulativo e com perspectiva negativa, sem descartar um rebaixamento nos próximos meses.
Também nesta sexta-feira, a agência de classificação de risco Moody's indicou que as notícias envolvendo o presidente Temer prejudicam a perspectiva de crédito do Brasil, "ameaçando paralisar ou reverter o positivo momento político e econômico observado recentemente". "Elas também desviam o foco dos esforços para a promoção das reformas fiscais. Estas reformas, que são críticas para a melhora da força fiscal do país, provavelmente serão interrompidas", prossegue a agência, em comunicado.

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