Vanessa planejou o parto para passar mais tempo com o bebê
Vanessa planejou o parto para passar mais tempo com o bebêFoto: Leo Motta/Arquivo Folha de Pernambuco

Vanessa Heráclio é diretora financeira de uma empresa de tecnologia e já estava com tudo planejado antes do nascimento de Laís. Marcou seu parto para 6 de junho, trabalhou até o dia 4 e optou por marcar suas férias para depois da licença-maternidade. A ideia é que, dessa forma, ela ganhe mais um mês em casa com o bebê. O motivo do sacrifício? Ela, assim como a maioria das futuras mães trabalhadoras, acha o período muito curto e se desdobra para 'aproveitar' o maior tempo possível da licença. "Nós precisaríamos de, no mínimo, sete meses", diz ela, reclamando da legislação.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante 120 dias (quatro meses) de resguardo sem prejuízo no salário. Além da preservação do emprego durante a gestação e até cinco meses após o parto e a liberação para consultas médicas e exames. Vanessa, por sorte ou exceção à regra, recebeu apoio do seu chefe. Por exemplo, quando não está se sentindo disposta para trabalhar, seu gerente a incentiva ficar em casa e abona sua falta. No entanto, na maioria das vezes, as gestantes precisam encarar um mercado de trabalho que ainda conserva certa discriminação.

"Ainda bem que trabalho em um lugar que tornou essa experiência tranquila, mas conheço várias mulheres que passam por poucas e boas nos seus empregos", relata Vanessa. E ela está certa. A enfermeira plantonista Samara Leite, por exemplo, depois de oito anos da primeira filha, engravidou novamente. Ela enfrentou várias dificuldades - teve pré-eclâmpsia, a bebê nasceu prematura e passou mais de 30 dias internada - e foi demitida após os quatro meses de licença obrigatória.

Neste caso, o advogado, especialista em direito trabalhista e professor da pós-graduação da UniFG Rodrigo Fernandes afirma que a empresa, caso não mude de ideia, tem que indenizar a mulher com o valor total dos salários dos seus meses de estabilidade. "Se não houver consenso, ela tem que recorrer imediatamente à Justiça", aconselha.

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