José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O torcedor do Sport vive uma alvorada de alívio nesta segunda-feira (12). Peito estufado, orgulhoso, inspirando o ar puro da Primeira Divisão. Para quem viveu dias tensos e teve pesadelos, aterrorizado com a possibilidade de voltar ao clima pouco oxigenado da Série B do Brasileiro, a tarde de domingo, 11 de dezembro, há de ser lembrada com nostalgia daqui a alguns anos. Para os fanáticos rubro-negros, então, será considerada um momento divino, uma epifania.

Mas quanto sofrimento o time impôs à sua torcida antes do suspiro aliviado, após a vitória sobre o Figueirense. Dois a zero parece um placar confortável, mas para quem viu o jogo não foi bem assim. A torcida assistiu, em silêncio, a um primeiro tempo tenso, que terminou sem gols e repleto de maus presságios. Lá no Rio, o Fluminense desperdiçara um pênalti contra o Internacional, concorrente direto do Sport na briga para escapar do rebaixamento. O ex-rubro-negro Danilo Fernandes fez uma bela defesa e evitou a queda da meta dos gaúchos. O futebol é marcado por acasos e ironias...

Pouco depois, o Flu abre o placar, o Inter empata. Mas dava pra confiar no tricolor carioca? Claro que não. Era preciso vencer. E aí vem outro acaso, este favorável. Rogério estava praticamente fora da partida se o jogo tivesse sido realizado uma semana antes. Mas devido à tragédia da Chapecoense a rodada foi adiada, e ele teve tempo para se recuperar e entrar em campo nesse domingo.

Logo ele, um ex-alvirrubro a envergar a camisa rubro-negra seria o responsável pelo gol salvador. Sim, porque, pra mim, o gol de Diego Souza foi apenas o complemento do que já estava feito, concluído. Valeu bem mais pela artilharia do Brasileiro do que pelo livramento da equipe da zona de rebaixamento. Claro que não podemos, porém, desconhecer a importância de Diego em toda a campanha.

Mas foi de Rogério o gol que resolveu a partida. E não foi um golzinho qualquer. Foi um gol construído com esmero. Ele recebeu a bola próximo à entrada da área, livrou-se de dois e chutou com precisão do lado direito do goleiro, sem que este tivesse tempo de alcançar a bola. Pouco mais de 1 minuto de jogo no segundo tempo. Até ali, a partida carregava o ar solene de um enfadonho zero a zero.

Apesar do alívio da torcida e do objetivo alcançado, a diretoria do Sport tem a obrigação de refletir bastante sobre este ano. O orçamento do clube não é dos piores. Pela estrutura, pela tradição, pela força de seus torcedores, o Sport tem obrigação de montar uma equipe melhor, que precise se escorar no talento individual de um ou dois jogadores, no máximo. O clube este ano viveu um festival de equívocos, desde a contratação de Falcão e Oswaldo Oliveira a jogadores que não corresponderam ao valor investido.

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