José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

A CBF está estipulando um prêmio milionário para o campeão da Copa do Brasil em 2018. Somando-se as cifras de todas as classificações fase a fase até a conquista do título, o vencedor poderá abocanhar cerca de R$ 68 milhões. Vice-campeão e semifinalistas também são contemplados com premiações mais "gordas".

A subida de valores para premiar os vencedores de competições nacionais - a verba do campeão brasileiro também deve crescer -, deixa os campeonatos estaduais cada vez mais desprestigiados no futebol nacional.

Claro que essas competições regionais carregam enorme tradição e ainda arrastam torcedores para os estádios, mas a organização do futebol vem mudando rapidamente. O torcedor que gostava de ir aos campos agora assina canais fechados. Os estádios só enchem em jogos decisivos pelo Brasil afora.

O Campeonato Pernambucano, infelizmente, não é uma exceção à regra. A política de interiorização imposta por Carlos Alberto Oliveira, falecido em 2011, perdeu força rapidamente com o cancelamento do programa Todos com a Nota, que distribuía verba com todos os clubes disputantes do Estadual.

A crise financeira levou o governo do Estado a tomar tal medida. Além disso, o programa apresentou "vícios" que já vinham ferindo a sua credibilidade. Era comum estádios pouco habitados com "todos os ingressos vendidos" para que o governo pagasse a conta completa, proporcionando aos clubes uma arrecadação que não fazia jus ao público presente.

Com 12 equipes, o Campeonato Pernambucano está mais do que inchado, o que, sem dúvida, sacrificará os clubes de maior poder aquisitivo, que jogarão em estádios com estrutura precária no Interior e não serão remunerados a contento.

Disputado em cerca de dois meses e meio, paralelamente ao Nordestão, o Estadual virou o primo pobre do primeiro semestre já que o torneio regional tem apresentado-se mais lucrativo para os participantes.

Com essa realidade batendo à porta, Arnaldo Barros, novo presidente do Sport, não fez questão de esconder, durante a campanha, que o foco do clube estará voltado para as competições nacionais e internacionais. Ganhou a eleição.

Com o mundo globalizado, virar rei em Campeonato Estadual pode até satisfazer o ego de alguns torcedores tradicionais e saudosistas, mas os valores arrecadados não vão encher os cofres dos clubes. Ao contrário, a conta sempre fechará no vermelho.

Clubes de tradição e torcida, Sport, Santa Cruz e Náutico terão de focar cada vez mais em projetos nacionais. Caso contrário, estarão condenados a sumir do noticiário nacional e, consequentemente, terão suas marcas enfraquecidas.

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