José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Qualquer apaixonado por futebol que se debruçar sobre os números da verba que alguns clubes nacionais recebem para ceder seus direitos de imagem à tevê vai se sentir lesado. Desde que a Rede Globo entrou com força no esquema de transmissão e patrocínio do Campeonato Brasileiro, em 1987, os valores cresceram em progressão geométrica. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer da qualidade dos jogos, nem dos jogadores. A queda de qualidade é inversamente proporcional ao dinheiro investido. Como explicar isso? O futebol virou o “primo pobre do... futebol brasileiro”

A explicação mais coerente é de que o êxodo de jovens valores para a Europa e outros continentes onde essa modalidade está em ascensão, como a China, tem nos causado prejuízos. Jovens valores ainda desconhecidos saem daqui para despontar em outras praças. Pode ser. Pode ser. Mas não é apenas isso.

É visível que por falta de uma política esportiva jovens talentos desaparecem nos sumidouros do cotidiano por falta de quem os observe, de quem os aponte para os grandes clubes. Se antes os craques surgiam em profusão nos campos de pelada de subúrbio, agora eles só aparecem em escolinhas formados por professores nem sempre tão qualificados. Bitolados por esquemas táticos nem sempre adequados ou já superados. O futebol de improviso, a capacidade de inventar, uma característica que sempre marcou o jogo dos brasileiros, perdeu-se em meio ao hermetismo dos “profexores”.

Os clubes, em sua maioria, aproveitam ex-jogadores para formar jovens atletas. Mas esses ex-craques nem sempre possuem didática, liderança e capacidade para repassar conhecimento. Muitas vezes, são ex-ídolos que não conseguiram se firmar profissionalmente após deixar o campo e são aproveitados muito mais pelo passado brilhante que representam do que pela capacidade de oferecer a esses clubes um trabalho qualificado juntos aos garotos ávidos por desenvolver habilidade com a bola.

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