José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Num início de temporada a incerteza toma conta dos torcedores. Seus clubes se desarrumaram, ídolos foram embora, assim como alguns jogadores de relevância. Os dirigentes tentam juntar os cacos para formar uma nova equipe, negociar com clubes e atletas para adquirir "reforços". Eis aí uma palavra muito usada, mas que, na verdade, não traduz a realidade quando um novo jogador aporta numa agremiação.

Reforço significa aumento de força. No caso específico do futebol, seria melhora de qualidade dentro de um grupo ou equipe. A questão principal reside aí. Podem ser considerados reforços todos os jogadores contratados pelas equipes? Nos jornais e resenhas esportivas, essa palavra é usada à exaustão, mas entra ano e sai ano e aquele time tão "reforçado" continua jogando a mesma bolinha murcha, enchendo seu torcedor de frustração. Ao final do ano, o arquibaldo amarga a falta de objetivos alcançados ou até um retrocesso, como uma queda de divisão.

Nos últimos três anos, podemos dizer que pouquíssimos jogadores contratados pelos clubes pernambucanos verdadeiramente reforçaram suas equipe. No Sport de 2015, nós podemos citar o atacante André e o meia Marlone, que se juntaram a Diego Souza e ao goleiro Danilo Fernandez. Com todo o respeito, os demais que chegaram serviram apenas para completar o elenco.

No Santa Cruz, dos tantos contratados nos últimos anos, podemos dizer que três fizeram diferença - Grafite, João Paulo e Keno. Tanto que, pretendidos por outros times, já ganharam destino. Os demais apenas completaram o elenco e outros nem isso.

Quando o torcedor vê sua equipe sofrendo em campo, jogando mal, ele imagina aquilo como apenas um momento. Mas quem acompanha o futebol há alguns anos sabe não é assim.

Os jogos são perdidos e vencidos bem antes do apito inicial. Antes dos gols e de entrar em campo, é preciso fazer outros gols fora dele, observando critérios mais rígidos para trazer jogadores.

Antes de assinar compromisso com o atleta, os dirigentes de futebol precisam de informações básicas importantes que devem ser analisadas e colocadas para avaliação do treinador. Alguns exemplos: quantas partidas jogou na última temporada; quais as contusões que sofreu; quanto corre por por jogo; consumo de oxigênio por partida. Dependendo da função, meia, atacante ou defensor, outros fundamentos terão de ser avaliados, como número de desarmes por partida (média), de passes certos e errados, de finalizações a gol.

Ou seja, antes de entrar em campo, é preciso ganhar o jogo fora dele. O Sport errou em várias contratações no ano passado, mas em duas a falha foi escandalosa: o chileno Mark Gonzales e o centroavante Túlio de Melo. Ambos com um histórico de contusões que desaconselhava qualquer dirigente de bom senso a contratá-los.

Esperamos que as lições tenham sido aprendidas.

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