José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O vazio de público nos campeonatos estaduais pelo Brasil é apenas reflexo natural de uma mudança de paradigma no futebol brasileiro. Assim como dificilmente nós vemos garotos jogando "bola de gude" no meio da rua, como era comum há algumas décadas, a competição envolvendo os clubes profissionais em seus respectivos Estados está caindo em desuso. Os motivos são os mais variados possíveis - vão de falhas na organização cometidas pelas entidades, ao próprio dinamismo que transformou o futebol num produto de massas vendido aos quatro cantos do mundo.

Um jogo entre um grande clube do Recife ou da Bahia contra um dos grandes sulistas é mais atrativo do que um confronto entre uma equipe da Capital e outra do Interior. O "produto" futebol se impõe e o torcedor assina os pacotes do campeonato nacional e do regional porque deseja ver um Sport x Bahia, um Santa Cruz x Vitória, simplesmente porque sabe que assistirá um espetáculo de melhor qualidade. A compra desse pacote proporciona condições às agremiações para contratar atletas de melhor nível, pagar bons salários. Difícil fugir dessa realidade.

Especificamente em Pernambuco, há uma fórmula de disputa que só agrava o quadro, contribuindo para o desinteresse do torcedor. No Brasil inteiro, porém, o que vimos é que as competições estaduais foram achatadas em seu calendário para que se abrisse espaço para os torneios regionais. Há também a subserviência política dos presidentes de federações à Confederação Brasileira de Futebol. Comprometidos com uma gestão colocada sob suspeita, são incapazes de fazer qualquer questionamento, de buscar melhores condições de faturamento para realizar os Estaduais. Pela subserviência, recebem uma "ajuda de custo" mensal da gestora nacional.

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Como subalternos, são obrigados a engolir o que a CBF determina. No caso de Pernambuco, o drama se agrava por conta das condições financeiras desfavoráveis dos clubes do Interior. A extinção do programa Todos Com a Nota, que durante anos bancou os clubes intermediários e ajudou a elevar a média de renda do Estadual, contribuiu para estampar a crua realidade. O TCN, aliás, trouxe dois problemas a longo prazo: primeiro, atraiu para o estádio um público pouco afeito ao espetáculo futebol e mais interessado na baderna - as torcidas organizadas incharam durante esse período. A violência que esses grupos trouxeram ainda afastou outros torcedores; o segundo é que viciou o torcedor a adquirir o ingresso a baixo custo.
Fim da conversa no bate-papo

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