José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Mal começou o trabalho no comando do Náutico e Dado Cavalcanti já está no olho do furacão. Pesam contra ele as atuações pífias do Náutico, duas derrotas incômodas, uma para o Santa Cruz, num Clássico das Emoções, outra para o Campinense, pelo Nordestão. Nesta quarta-feira, o jovem treinador passará pela prova dos nove. Se o time vencer o Guarani de Juazeiro, pela Copa do Brasil, poderá chegar ao sábado de Zé Pereira ou quem sabe pular no Timbu Coroado, no domingo. Caso contrário, viverá sua quarta-feira de Cinzas antecipada.

O futebol nos traz esses episódios curiosos para analisar. Até bem pouco tempo, Dado era o treinador mais promissor do Nordeste, e foi contratado para armar um novo time nos Aflitos. A temporada ainda vive suas preliminares e ele já tem a corda no pescoço. Claro que o que seu time vem produzindo não agrada. Os resultados falam por si. Mas tirá-lo do posto sem dar tempo para que a equipe possa se recuperar é um risco grande. Alguns times levam tempo para assimilar o esquema de seu treinador, o tempo das jogadas, a forma de marcar.

Vez por outra somos surpreendidos por aquela equipe que se apresentava bisonha no início do campeonato, mas que chega na fase final tinindo. Não podemos dizer que será este o caso do Náutico. Não temos bola de cristal. Mas que a possível demissão do técnico soa como algo precipitado não há dúvidas. Nenhum treinador monta uma boa equipe em dois meses. Se assim fosse, teríamos supertimes a rodo no Brasil, e a realidade nos mostra o contrário.

Para mim, o prejuízo maior, caso essa ameaça se confirme, não será de Dado, mas do Náutico. O seu sucessor, certamente, chegará com uma lista de "reforços". E fará outra, de "dispensáveis". E o clube pagará a conta da saída e da entrada de jogadores. Rescisões em início de temporada são onerosas, porque os atletas estão em início de contrato e vão querer receber tudo "pelo pé".

Para um clube que está disputando um campeonato estadual pouco rentável e um Nordestão mais ou menos não será bom negócio. Melhor seria esperar o treinador terminar essas duas competições e, aí sim, fazer uma avaliação mais precisa.

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