José Neves Cabral
José Neves CabralFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O futebol fabrica ídolos. São jogadores que mudam o panorama dos jogos e entram para a história dos clubes com suas façanhas em campo. Mas quando o time não vai bem, há sempre um culpado à beira do gramado para receber uma coroa de espinhos: o treinador. Essa personagem ganhou importância através dos anos no esporte. De suas estratégias surgem as conquistas, de suas jogadas ensaiadas nascem os gols ou até mesmo a anulação do ataque adversário pelo sistema de marcação montado a partir de suas ideias. Ele não costuma atrair para si a idolatria da torcida. No máximo, o respeito durante os bons momentos. Nos maus, é o pivô que atrai todas as culpas.

Assim, podemos explicar a queda de Vinícius Eutrópio do comando do Santa Cruz. O time estava com 57% de aproveitamento na Série B. Nada mal para um clube que investiu tão pouco. Desde o início do ano, ele vinha trabalhando para rearmar um time cujo elenco foi praticamente dissolvido após o fiasco na Série A de 2016. Mas a derrota para o Londrina, em casa, na ultima sexta-feira, selou a sua queda, no dia seguinte.

De cabeça quente após a derrota, o torcedor xinga, agride, cobra da diretoria a cabeça do treinador. Os dirigentes, temendo também atrair a revolta, saciam o desejo dos torcedores. Mas há sempre um outro dia, quando a conta chega. O clube vai ter que indenizar o técnico demitido, contratar outro que talvez também não resolva. Esse outro vai pedir "reforços", o que, naturalmente, custa dinheiro. Num clube que tem um "cobertor financeiro" curtíssimo, como o Santa, o "pano" pode não ser suficiente para cobrir os salários dos profissionais no mês seguinte. Sem salários em dia, o grupo se desmotiva e, mesmo de treinador novo, perde jogos importantes. As palestras motivadoras e cobranças não surtem efeito porque os atletas estão preocupados com os compromissos para pagar, e o dinheiro não chegou.

E assim prossegue a crise. De repente, o que poderia ser apenas uma ventania vira um furacão e o desastre se amplia de tal maneira que se torna incontrolável. O Santa vive esse drama há muitos anos. Nem os cinco títulos estaduais conquistados nesta década conseguiram aplacar a grave situação financeira do clube. É preciso colocar os pés no chão. De repente, permanecer na Série B até criar uma estrutura que o permita subir de divisão e permanecer na elite seja um objetivo mais viável.

Não adianta sonhar com Série A tendo ainda uma estrutura de Série B.

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