Na Era Milton, Marco Antônio atua perto da área, podendo explorar chutes a gol
Na Era Milton, Marco Antônio atua perto da área, podendo explorar chutes a golFoto: Jedson Nobre

 

Um mês de casa e notórias mudanças. Milton Cruz tem pouco tempo à frente do Náutico e tem conseguido adaptar a sua visão do futebol ao estilo de jogo da equipe, apresentando significativas mudanças em relação ao seu antecessor, Dado Cavalcanti. Com quatro jogos, duas vitórias em clássicos e dois empates, o novo Timbu do começo do segundo trimestre é simples, porém bastante eficiente.
Até aqui, a mais palpável diferença é, sem dúvida, o desenho tático. Sob a tutela de Dado, os alvirrubros entraram em campo seis vezes utilizando o esquema 4-3-3, e com funções individuais que, posteriormente, se provaram pouco efetivas para as peças disponíveis.

A postura do time sem a bola certamente foi o ponto mais criticado, mais especificamente na faixa central de campo. Maylson (quando atuava) pressionava toda a linha do meio-campo adversária, com a proteção da zaga feita por Rodrigo Souza e João Ananias e Marco Antônio sem obrigações no campo de defesa. O Náutico permitia muitos chutes de fora da área com essa disposição, justamente porque Maylson se desprendia da linha para sufocar a saída de jogo e ficava distante da defesa.

Com a bola, Marco Antônio chamava a atenção por assumir um posicionamento entre a zaga e a extrema ofensiva, numa tentativa de ter maior visão de campo para buscar lançamentos, além de assumir a responsabilidade da saída de bola. Rodrigo Souza subia como “homem surpresa” pela faixa central, e os laterais surgiam em movimentos diagonais, deixando a linha de fundo para os pontas. Faltava, portanto, uma cadência mais próxima da área, visto que existia boa movimentação.

Com Milton aconteceu uma transição honesta para um 4-4-2 maleável, utilizando melhor as peças disponíveis. A defesa é mais consistente atuando com um 2-4-3-1, obrigando o centroavante a pressionar a saída de bola - muitas vezes com o auxílio de um dos pontas - e um meio-campo mais agressivo, que tenta pressionar a zona da bola.

Mas, sem dúvida, o ataque se destaca por ter sido repaginado. Marco Antônio atua muito mais próximo da área, podendo explorar até os chutes de fora, como no gol contra o Sport na Arena de Pernambuco. Rodrigo Souza foi deslocado para a proteção de zaga, ao lado de João Ananias, e assumiu a responsabilidade da saída de bola (que era de Marco) liberando os laterais para sufocar a zaga adversária. Sem um homem de referência fixo, Erick, Dudu e Alison encontram muita liberdade para se movimentar e criar jogadas com o camisa 10 alvirrubro. Os laterais Manoel (esquerdo) e David (direito) também se fazem presente, e muitas vezes trabalham junto com Marco Antônio para dar maior volume de jogo.

A ideia é muito simples, e a aplicação em campo, até agora, deixa isso transparente e fácil de perceber. A principal evolução do Náutico nas mãos de Milton Cruz é a melhor compreensão e adequação dos atletas disponíveis, facilitando um estilo mais fluído dentro das quatro linhas que ganhou uma merecida notoriedade nas últimas semanas.

 

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