Lavagem da Sé em Olinda
Lavagem da Sé em OlindaFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Para quem leva o Carnaval a sério, Olinda já vira festa logo depois do Réveillon. E, para quem quer renovar as energias, as boas-vindas ao ano novo só estão completas depois da celebração das Águas de Oxalá no Sítio Histórico da cidade. Vestidos de branco, famílias inteiras, grupos de amigos, casais jovens e idosos seguiram a pé pelos principais pontos do município, se juntando a outros blocos que já saúdam a chegada da folia de Momo.

Neste domingo (8), a lavagem aconteceu em frente da igreja da Sé, com cortejo guiado pelo babalorixá Tatá Raminho de Oxóssi. São 38 anos de ritual com cânticos, danças, rezas e celebração. O momento marca a contagem para o início do Carnaval, que neste ano será na última semana de fevereiro, e o encerramento do ciclo natalino.

Não é difícil encontrar, na multidão, quem faz do cortejo uma tradição para comparecer anos a fio. “Faz 15 anos que acompanho a lavagem, sempre venho com amigos e irmãos. A experiência é maravilhosa, é para renovar a fé e seguir o ano firme no que é sagrado”, contou o cozinheiro Ivo Barbosa. A mensagem das águas, ele acredita, ajuda a fazer uma purificação dos desejos para o ano novo. É também durante a passagem do andor de Nosso Senhor Salvador do Mundo que se consuma a união do candomblé, religião de matriz africana, com o catolicismo.

No tempo de escravidão negra no Brasil, era imposto aos africanos que chegavam ao País a religião, cantos, costumes e santos católicos. Como estavam impedidos de celebrar as próprias crenças e divindades africanas, o povo negro começou a fazer associações e correspondências com a cultura cristã. O sincretismo religioso, como é chamado quando existe adaptação e correspondência entre santos católicos e as entidades do candomblé, se materializa na festividade. São Jorge no candomblé, por exemplo, seria correspondente a Ogum, enquanto Jesus, celebrado no Natal, é representado como Oxalá.

O percurso é acompanhado de perto pela Polícia Militar e conta com apoio da Prefeitura de Olinda. O trajeto tem a tradicional água de alfazema derramada na multidão. No Alto da Sé, a concentração começou às 15h, com a lavagem, e o cerimonial por volta das 16h30. A ladeira da Misericórdia, rua do Bonfim, Quatro Cantos, Largo do Amparo e Largo do Guadalupe são indispensáveis ao itinerário que reverencia os locais mais tradicionais de Olinda.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: