Raridade foi captada pelas câmeras de pesquisadores do projeto Bichos da Caatinga. Descoberta ocorreu numa na área rural, em uma fazenda
Raridade foi captada pelas câmeras de pesquisadores do projeto Bichos da Caatinga. Descoberta ocorreu numa na área rural, em uma fazendaFoto: Bichos da Caatinga/Divulgação

Um registro inédito de raros exemplares de jaguarundi, uma espécie de Puma (Puma yagouaroundi), foi feito a 193 quilômetros do Recife, numa área de Caatinga do município de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste pernambucano. Também conhecidos como gato-mourisco ou maracajá-preto, os felinos dessa espécie podem ter duas cores: cinza ou vermelho, sendo a ocorrência da segunda predominante no Nordeste. Mas, é aí que está a novidade: na família identificada, o pai e dois filhotes apresentam a cor cinza e apenas a mãe e um dos filhotes, a cor vermelha

 Essa raridade de pumas multicoloridos (já que numa ninhada predomina apenas uma cor) foi captada pelas câmeras noturnas de pesquisadores do projeto Bichos da Caatinga. A descoberta ocorreu numa fazenda do município, após um pequeno produtor rural pedir ajuda dos estudiosos para identificar qual animal estaria atacando os filhotes de cabra que ele possui em seu pasto.

De acordo com o coordenador do Bichos da Caatinga, Bruno Bezerra, o achado nunca foi registrado antes pela literatura científica, o que torna um privilégio ter sido feito pelo grupo. "Nem em cativeiro isso havia sido observado antes, ainda mais em vida livre, o que é mais raro ainda. Isso só reflete o quanto a biodiversidade da Caatinga, um bioma ainda tão pouco estudado, é rica. E no caso desses pumas, eles provam que são resilientes em meio à pressão do desmatamento e da seca", avalia. A certeza de Bezerra em afirmar que o fato é mesmo raro veio após a consulta com estudiosos da espécie.



No vídeo gravado pelas câmeras, é possível ver a família de pumas próximo a um bebedouro natural da fazenda que, na época, ainda tinha água. O registro ocorreu em outubro passado e, desde então, os pesquisadores fazem rondas e trilhas a fim de monitorar a família. "Chegamos, inclusive, a avistar dois filhotes, um vermelho e outro cinza. Cremos que são irmãos", acredita o estudioso, que fez uma ressalva: "Geralmente, esses animais têm hábitos solitários, estando juntos apenas quando vão acasalar. Essa família estava unida apenas pelo nascimento dos filhotes. Hoje, eles já se separaram, mas a ONG continua monitorando", conta Bezerra.

Para Bruno Bezerra, o encontro da família rara de pumas com as câmeras é, sem dúvidas, um presente para o projeto. "Criamos esse projeto justamente para chamar atenção para a biodiversidade desse ecossistema e para a necessidade de conservação. Nós que temos que zelar pelo meio ambiente e, assim, permitir a perpetuação de muitas espécies. O desmatamento tem fragmentado o habitat natural para muitos bichos e, ainda assim, a natureza prova que resiste", ressalta.

Antes mesmo de o projeto ganhar corpo, os pesquisadores já tinham o hábito de fazer trilhas no município de Santa Cruz do Capibaribe, onde o grupo reside. "E o mais legal de tudo é que nossas câmeras registraram muita coisa legal", comemora Bezerra.

Hábitos
O gato-mourisco, além de possuir hábitos solitários, possui atividade diurna, sendo sempre muito ativo no início e fim do dia. Ataca as presas com as patas dianteiras e possui grande habilidade para subir em árvores, locomovendo-se de um lado para o outro, sobre os ramos. Seu cardápio é o mais variado possível, indo desde répteis a aves e roedores. A reprodução ocorre uma vez ao ano.

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