Durante o minucioso restauro, as obras passam por um processo de reparação e digitalização
Durante o minucioso restauro, as obras passam por um processo de reparação e digitalizaçãoFoto: Felipe Ribeiro

 

Uma das mais ricas do Brasil no segmento de edições raras, a Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (BPE) deu início a um processo inédito em seus 165 anos: a restauração desse tipo de obras. Em parceria com a empresa Bersato Produção Cultural, e com o patrocínio do Fundo de Cultura de Pernambuco (Funcultura), a instituição começa a recuperar a parte mais valiosa de seu acervo realizando, além da restauração, a digitalização do material.
Nessa primeira etapa do projeto, a lista traz seis livros. Três deles, da bibliografia do escritor recifense Joaquim Maria Carneiro Vilela (1846-1913): “A Menina de Luto“, de 1893, e “Innah” e “Três Chronicas: Laurinha, a Yara, O Amor”, ambos de 1894.

Completam o rol, o “Atlas Histórico da Guerra do Paraguay” (1871), do engenheiro belga Emílio Carlos Jourdan (1838-1900); e os dois volumes de “Ornithologie Brésilienne, ou Histoire dês Oiseaux du Brésil: Remarquables par leur Plumage, leur Chant ou leur Shabitudes” (1852), do médico, naturalista, pintor e desenhista francês radicado no Brasil Jean Theodore Descourtilz (1796-1855). Após a conclusão do trabalho, a BEP realizará uma exposição com todos os títulos reparados.
“A BEP é uma biblioteca de memória. A gente tem um setor de conservação, restauro, mas não com essa qualidade técnica”, explica a gerente Lúcia Roberta Guedes Alcoforado.

Segundo ela, a escolha dos títulos em restauração, dentro de um universo de mais de 30 mil itens, obedeceu a critérios do setor de Obras Raras, Manuscritos, Iconografia e Mapoteca (Coleção Pernambucana), que integra a área de Coleções Especiais e é chefiado pela bibliotecária Poliana do Nascimento Silva. “Carneiro Vilela é um personagem importante de nossa literatura, conhecido pelo romance ‘A Emparedada da Rua Nova’, mas estamos resgantando suas crônicas”, exemplifica a gestora.
Durante o processo, os livros passam por um processo de desinfestação de fungos, higienização, tratamento folha a folha, digitalização e reencadernação. “O que causa maior dano é a variação brusca de temperatura, que é bem típica da nossa região”, detalha a restauradora Suzana Omena, da empresa Grifo Restauro.
“Agora já está na finalização, faltando só dois livros serem digitalizados. Em maio o restauro vai estar feito”, conta o produtor cultural Saturnino de Araújo, da Bersato, adiantando que uma nova fase do projeto, ainda sobre a obra de Carneiro Vilela, já se encontra em avaliação no Funcultura.

 

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