Intercâmbio
IntercâmbioFoto: Divulgação

Apenas com as despesas de viagem, os alunos intercambistas do Programa Ganhe o Mundo (PGM) representam um investimento para o Governo do Estado de algo em torno de R$ 3 milhões por ano. O retorno é dado ao estado em forma de conhecimento. São jovens que acessam uma nova cultura, vivem um período de imersão em um segundo idioma e se tornam mais confiantes pelo fato de viverem por alguns meses fora da zona de conforto, sem a presença dos pais e familiares e do ambiente a que ele está acostumado. Na volta, se tornam referência em suas comunidades de que, com esforço, é possível atingir objetivos.

“Eles voltam mais autoconfiantes. Mas isso é esperado. Qualquer pessoa que passe por uma situação de morar em um país com uma língua dife­­­­­rente, uma cultura diferente, e consegue ter uma experiên­­­­cia de sucesso aumenta a autoconfiança e a autoestima. Eles voltam pensando em dar saltos maiores que eles imaginavam enquanto ainda não haviam passado pela experiência do Ganhe o Mundo”, analisa a superintendente do PGM, Renata Serpa.

Os alunos intercambistas do PGM, se tornam exemplos em suas cidades ou bairros. Muitos deles conseguiram se empregar como instrutores de língua quando voltaram ao Brasil. Já dão aulas de inglês, de espanhol, e ajudam a movimentar a economia dos municípios. E conferem ao PGM algo além de um programa de intercâmbios ou mesmo de segundo idioma: o de ferramenta de transformação social. Outro fator que o Ganhe o Mundo tem influenciado a vida dos estudantes é na hora em que eles terminam o ensino médio. “Nós temos muitos alunos do PGM que estão cursando uma universidade. Em diversos cursos, como engenharia, medicina. O que eles nos dizem é que o intercâmbio foi fundamental para a escolha da profissão”, afirma Charles Martins, coordenador de Intercâmbio do PGM.

Uma das contrapartidas que os alunos se comprometem em dar ao Governo do Estado é a realização de um projeto, quando retornam ao Brasil. Algo que tenha relação à experiência que ele viveu durante o período no exterior e que tenha alguma relevância para a comunidade dele em Pernambuco. O projeto tem o formato dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), comuns nas universidades, e são apresentados na escola da rede estadual em que cada um estuda.

Manual
Arthur Rodrigo Cavalcanti passou cinco meses em Ashburton, na Nova Zelândia, em 2014. Como todos os estudantes do PGM, foi obrigado a lidar com o valor da bolsa que cada aluno intercambista recebe para cobrir algumas despesas extras. Para jovens que nunca receberam salários e que normalmente são provenientes de famílias de renda baixa, trata-se de uma tarefa bastante difícil. “Educação financeira é muito importante. Nós, como estudantes de escola pública e jovens, não temos o costume de manusear quantias como as que recebemos na bolsa do PGM ou mesmo em projetos como o Jovem Aprendiz”, explica Arthur, que hoje estuda arquitetura e é estagiário do Jovem Aprendiz.

A ideia do ex-aluno da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Edson Moury Fernandes, em Muribeca, Jaboatão dos Guararapes, foi a de produzir uma cartilha para ajudar os intercambistas. “Em conversas com minha host family, os meus ‘pais’ deram algumas dicas e comecei a fazer o meu manual. Depois que minha professora orientadora Soraya Oliveira deu a nota, fiz a primeira publicação, no Facebook, e através do meu e-mail. Desde então, ele vem sendo repassado para outros grupos adjacentes ao PGM, dos pós-intercambistas que se propõem a ajudar os demais”, diz Arthur.

Bancas
O projeto de Pedro Melo, hoje com 19 anos, foi realizado em grupo, com outros três alunos da Erem Silva Jardim, no Monteiro, Recife, que também participaram do intercâmbio do PGM na mesma época que ele – Paulo Veríssimo, Bruna Monteiro e Renata Alves. Durante a estadia no exterior – Pedro morou em Phoenix, no Estado norte-americano do Arizona – ele e os amigos perceberam que os alunos de lá tinham uma grande preocupação com o material da escola e que haviam várias iniciativas de trabalhos comunitários, como eventos beneficentes para arrecadar dinheiro e gerar benefícios para a população.

“Na nossa escola no Recife tinha muito problema com as bancas. Tinha gente que era obrigada a assistir a aula em pé. A gente pensou em fazer al­­­go. A comunidade toda se envolveu, alunos e professores. Esse mutirão durou uns três dias e nós consertamos 27 cadeiras que estavam danificadas”, lembra Pedro, hoje estudante de Odontologia na UPE.

Intercâmbio
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