Paulo Roberto dos Santos, 62 anos, teve o tumor detectado precocemente e alcançou a cura sem sequelas
Paulo Roberto dos Santos, 62 anos, teve o tumor detectado precocemente e alcançou a cura sem sequelasFoto: Alfeu Tavares

 

A série de “Mãos dadas pela vida”, que tratou do câncer de mama no Outubro Rosa, inicia hoje abordagens sobre a saúde do homem neste Novembro Azul. Hoje, o foco é o câncer de próstata com alertas sobre o diagnóstico precoce e novidades de detecção e tratamento. Toda terça-feira deste mês, traremos informações sobre os principais cânceres masculinos, como o de pênis, testículo, pele e pulmão.  

Câncer de próstata: uma realidade que muitos homens preferem não dar tanta atenção. Não falar sobre o assunto dificulta o enfrentamento à neoplasia que deve ter 61,2 mil novos casos no Brasil apenas neste ano. O tumor tem projeções de adoecimento, inclusive, maior do que o câncer de mama, que tem previsão de 57,9 mil novos casos, segundo o Instituo Nacional do Câncer.

Boa parte dessa rejeição em falar e se cuidar está relacionada ao preconceito com o exame de toque retal. O que muitos não sabem é que essa técnica diagnóstica está cada dia mais sendo deixada em segundo plano. Em voga, estão novas tecnologias como exames de sangue mais sensíveis, testagem pela urina e uso de ressonâncias especiais para mensurar a suspeita do câncer.

“Se o câncer de próstata não for detectado numa idade precoce, porque a pessoa tem preconceito de um exame digital no reto que dura dois, três segundos, o diagnóstico só pode vir quando o paciente sentir os sintomas, e, muitas vezes, já está numa situação mais avançada. Nessa situação, a medicina vai entrar, vai ajudar, paliar, mas não vai curar. E, muitas vezes, é uma morte lenta que dura anos e com bastante sofrimento. Esse tipo de tumor é uma coisa séria, com estatística de um caso para cada sete homens na terceira idade”, alertou o urologista Seráfico Júnior.
O especialista afirmou que, com a detecção precoce, as chances de cura dos pacientes chegam a mais de 90%. Foi assim com Paulo Roberto dos Santos, 62 anos. “Sempre fazia exames periódicos e quando o PSA (indicador do câncer) dava alterado tomava remédios por seis meses Foram três anos controlando a taxa de PSA até que o médico pediu uma biopsia e foi encontrado o tumor. Foi um processo muito inicial, mas é um susto em qualquer escala”, contou. Rapidamente, ele fez cirurgia e hoje, quatro anos depois da retirada da próstata, tem vida normal, sem sequelas como incontinência urinária ou perda de ereção.
O urologista enfatizou que é preciso que os pacientes sejam detectados antes de sinais como dificuldade de urinar ou ardência, necessidade de urinar em excesso e dores nos ossos. Ele explicou ainda que nem todos os doentes precisarão realizar o toque retal. “Nos pacientes muito jovens com PSA muito baixo, ou nos pacientes com idades mais avançadas, muitas vezes o exame de sangue e ultrassonografia serão suficientes no diagnóstico”, ressaltou.
Seráfico Júnior destacou que a medicina tem evoluído no sentido de tornar o rastreio mais sensível e cada vez o exame de toque tem sido preterido por profissionais de saúde. “Com a melhora dos exames de sangue, nem todos os casos precisam do toque retal. Existe uma perspectiva de entrar em uso clínico muito em breve, um exame de urina para diagnóstico que é muito sensível”, disse.
Outra opção diagnóstica mais atual é a ressonância multiparamedica, que além das imagens vê algumas variações metabólicas indicativas ou não de neoplasia. “Essa ressonância já indica ou desindica o câncer. É um fator a mais para indicação de biopsias”, comentou.

Tratamentos
Novas abordagens terapêuticas da neoplasia fazem apostas na personalização dos tratamentos que levam em conta uma série de fatores, a exemplo do estágio do tumor e da idade. O tratamento mais usual no mundo é a prostatectomia radical (retirada completa da próstata), que pode ser uma cirurgia aberta, por vídeo, e agora recentemente pela robótica.

Também pode ser feita a radioterapia aliada. A novidade é que pacientes mais idosos ou com fatores de prognóstico bons podem fazer outra modalidade de tratamento chamada active surveillance, ou vigilância ativa. Neste caso, o homem é acompanhado por meio de exame de sangue para o monitoramento do PSA e uma biópsia, inicialmente, anual, depois a cada dois anos. Essa abordagem evita complicações que podem acontecer durante o tratamento tradicional.
Rastreio
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a partir dos 45 anos os homens façam avaliação de próstata uma vez por ano. No entanto, as pessoas negras e aquelas que têm parente até a 1ª geração com história de câncer devem buscar o médico a partir dos 40 anos.

Os riscos dobram nessas situações de herança genética. “Quem tem um caso na família duplica as chances. Com dois ou mais casos, o risco quadriplica”, alertou o urologista.

 

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