Especialistas recomendação congelamento de sêmen a pacientes que querem ser pais
Especialistas recomendação congelamento de sêmen a pacientes que querem ser paisFoto: Úrsula Freire

 

Um câncer que tem chances de cura superior a 90%, mas que coloca em xeque a capacidade reprodutiva do homem porque na maioria das vezes é diagnosticado nas pessoas entre 15 e 50 anos de idade. Essas são as principais nuanças sobre a neoplasia de testículo, tumor raro responsável por aproximadamente 5% dos cânceres no público masculino, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Entre os pacientes com risco aumentado de desenvolver a doença estão homens que têm criptorquidia (quando o testículo não desce para a bolsa escrotal) e com infertilidade por causa genética. O autoexame de testículo pelo menos uma vez por mês é primordial para o diagnóstico precoce do tumor que, diferentemente dos outros, pode avançar significativamente em semanas, já que nessa área a duplicação tumoral é muito mais rápida.
“Pessoas que já nascem com problema de fertilidade têm mais risco. Isso porque se acredita que a origem do câncer de testículo está não nos espermatozoides, mas nas células percussoras destes. Como uma grande parte desses problemas de infertilidade é genético, os mesmos genes que causam a infertilidade podem desencadear o tumor”, comenta o urologista Filipe Tenório.
O especialista relata que 50% dos pacientes com essa neoplasia já apresentam alguma alteração no espermograma, o que já é um fator complicador para a geração de filhos. Já nos homens com criptorquidia a chance de desenvolver câncer de testículo é entre dez e 50 vezes maior do que nos homens em que o testículo teve desenvolvimento normal. “Como, em geral, homens diagnosticados com tumor nessa área já têm alguma alteração de fertilidade, imagine quando é preciso retirar um dos testículos para tratar o câncer e, se além disso, ele precisar de quimioterapia e radioterapia? As chances desse paciente ficar completamente infértil é alta”, alerta.

Autoexame
Buscar sinais de alerta na área pelo menos uma vez ao mês pode ajudar a identificar rapidamente alterações indicativas de câncer. “É preciso apalpar o testículo para ver se há algum nódulo e uma vez por ano fazer uma ultrassonografia com doppler da bolsa escrotal, caso seja paciente de risco. O câncer de testículo não aparece na pele, não causa dor. Ele se apresenta como um nódulo no testículo, uma coisa endurecida, que aumenta rapidamente de tamanho”, indica o urologista.
O crescimento rápido da neoplasia acontece porque na área dos testículos as células precisam se dividir muito rapidamente para poder conseguir formar os espermatozoides. “O homem forma em média cerca de 100 milhões de espermatozoides por dia. Para conseguir essa produção, as células têm que se dividir muito rápido. Por isso, quando aparece um tumor dessas células, ele cresce muito rápido. Em semanas pode ficar grande mesmo. É dramático”, explica Filipe Tenório.
Se na apalpação o paciente encontrar algum desses sinais de alerta o primeiro o passo é buscar o médico para descartar outras doenças que podem se confundir como cistos líquidos ou inflamação do epidídimo (canal em que se armazena e que transporta espermatozoide). Em casos de resultado positivo para tumor maligno, a primeira intervenção é cirúrgica com a retirada do testículo atingido. No caso da amputação de ambos, o homem precisa de reposição de testosterona para o resto da vida e perde a capacidade reprodutiva.

Criopreservação
O urologista destaca que 95% dos pacientes, independentemente do estágio, ficam curados. E que a atual discussão tem sido sobre a qualidade de vida dos pacientes. “Em geral são pacientes jovens, que não tem filhos, então há uma recomendação de que antes, de iniciarem o tratamento, façam congelamento de sêmen”, comenta.
O biomédico Paulo Ma-theus, do banco de sêmen Vidas, no Recife, explica que o congelamento de sêmen é a saída para manter o sonho de muitos homens de serem pais no futuro. “Só congelamos para pacientes que vão fazer cirurgia, pacientes oncológicos, quem vai fazer vasectomia, para quem pode perder a fertilidade. O banco congela e guarda por tempo indeterminado. Temos tido muitos pacientes jovens com câncer de testículo que esperam a recuperação para constituir uma família depois”, comentou.
O biomédico enfatiza que o banco Vida não comercializa sêmen, apenas o estoca para uso do paciente. O serviço, raro na Capital, tem custo inicial de R$ 2,9 mil para o congelamento de três amostras de cada homem, divididas em 15 tubos. Depois há uma taxa de R$ 420 a cada seis meses de manutenção.

 

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