Inaldo Sampaio
Inaldo SampaioFoto: Colunista

A imprensa que cobre o poder se deleitou com a divulgação pelo ministro Edson Fachin dos nomes dos políticos citados em delação premiada por ex-dirigentes da Odebrechet. O vazamento dessa lista nivelando políticos honestos a desonestos é um desserviço à justiça. Nela constam os nomes de políticos honrados, como se não o fossem, porque receberam recursos dessa empreiteira para suas campanhas eleitorais. Ora, ela tinha por hábito ajudar financeiramente políticos de todos os partidos e o recebimento não era considerado inconstitucional pelo STF. Só passou a sê-lo a partir de 2015. No entanto, o
estrago já está feito. O que o ministro fez foi autorizar a abertura de inquérito para investigar se 8 ministros do atual governo, 3 governadores, 29 senadores e 42 deputados federais receberam recursos de propina ou de “caixa dois”. Mas antes mesmos da apuração dos fatos todos estão sob suspeita de desonestidade, o que é ruim para a política e o processo democrático.

A divulgação da “lista Fachin” foi ruim para a política e para o processo democrático

Como provar, eis a questão!
Autorizado pelo ministro Edson Fachin (STF) a abrir inquérito para investigar a conduta de 108 políticos de diferentes partidos, incluindo quatro ex-presidentes da República (Collor, FHC, Lula e Dilma), os presidentes da Câmara e do Senado e as cúpulas nacionais do PT, PMDB e PSDB, caberá agora ao Ministério Público Federal separar o joio do trigo. Ou seja, não confundir dinheiro limpo com “propina”.
Espada > O mensalão, que foi um processo bem mais simples, durou 7 anos até entrar na pauta do STF. Lava Jato, bem mais complexo, não levará menos de cinco, fazendo com que políticos reconhecidamente honrados passem a ser vistos como “corruptos” até não se sabe quando.
Mandato > Em show que fez no Teatro RioMar na última terça-feira, o cantor Sérgio Reis explicou aos fãs o que faz hoje como deputado federal por MG: pega o subsídios a que tem direito e o destina integralmente ao Hospital do Câncer de Barretos (SP), mantido por ele e mais 47 artistas.
Renúncia > Num país em que não se costuma abrir mão de nada, o campeão de votos para a Câmara Municipal de Cabrobó, vereador Sininho (PSB), renunciou ao mandato no início desta semana e foi substituído pelo suplente Romero Gomes (PR). Sininho foi vice-prefeito de 2013 a 2016.
Em frente > Por mais diligente que o Ministério Público Federal seja na condução da Lava Jato, o Brasil não vai acabar por causa dela. A política passou a ser vista por muitos brasileiros como atividade para “marginal”. Mas sem ser por intermédio dela não se irá para canto nenhum.
Alerta > Aliados de Paulo Câmara deveriam parar de endeusá-lo, “vendendo” a imagem dele ao Brasil como de um governador que “fez o dever de casa” e não atrasa salário do funcionalismo. É que essa imagem pode cair por terra a qualquer momento se a receita do ICMS continuar caindo como ocorreu no 1º bimestre deste ano.

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