Inaldo Sampaio
Inaldo SampaioFoto: Colunista

O que mais se ouve da boca de investigados pela Operação Lava Jato são frases com essas: “Estou tranquilo”. “Recebi dinheiro da Odebrecht, de forma legal, declarei à Justiça Eleitoral e minhas contas foram aprovadas”. “O homem público não deve ter medo de investigação”. “Delação não é condenação, é preciso que o delator prove o que está dizendo”. Até agora, pelo menos, somente o marqueteiro João Santana admitiu que errou ao receber da Odebrecht, via conta bancária no exterior, o acerto que fez com o PT para cuidar da reeleição de Lula em 2006 e das campanhas de Dilma em 2010 e 2014. Quem mais se aproxima dele, embora não admita ter feito nada de errado, é o ministro Bruno Araújo ao confessar que está “constrangido” pelo fato de o seu nome constar da “lista Fachin”, significando que será investigado por inquérito da Polícia Federal. É uma exceção à regra, já que os outros ministros que se encontram no mesmo barco (oito) optaram pelo silêncio.

Bruno Araújo admite constrangimento por ter tido o nome incluído na lista do ministro Edson Fachin

Tática equivocada
O PSB se equivoca ao não designar um interlocutor para acompanhar as delações feitas por ex-dirigentes da Odebrecht, incluindo Marcelo, diretor-presidente da empresa, envolvendo o nome de Eduardo Campos. Como o ex-governador não está mais vivo para defender-se nos casos da Arena Pernambuco, Refinaria Abreu e Lima e Presídio de Itaquitinga, o partido tinha obrigação de fazê-lo. Mas faz mal feito ou silencia.
Silêncio > Também chama a atenção dos pernambucanos o silêncio de Aldo Guedes, ex-diretor da Copergás nos dois governos de Eduardo Campos. Ele não confirma nem desmente versões de que teria feito “delação premiada” e não veio a público uma única vez para defender-se das acusações de ex-dirigentes da Odebrecht.
Desmantelo > O prefeito de Sertânia, Ângelo Ferreira (PSB), contou ontem no Recife que nunca viu nem soube, na vida, de um “desmente-lo” igual ao que encontrou na prefeitura deixado por seu antecessor Gustavo (“Guga”) Lins (PSDB. “Só convênios que ele não prestou contas são mais de 20, o que nos deixou inadimplente perante os governos estadual e federal”.

A volta > José Augusto Maia (PTB), ex-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, já comunicou aos aliados que será candidato a deputado estadual no próximo ano e que espera sair do município com pelo menos 20 mil votos.
Receita > Informa o Governo do Estado que a receita do ICMS cresceu cerca de 7% nos dois primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2016, sendo falta portanto a versão de que teria caído 42%.
Decência > Do ex-prefeito de Sanharó, César Freitas (PCdoB), de passagem ontem pelo Recife: “Meu deputado estadual em 2018 será Júlio Cavalcanti (PTB) e meu federal é quem Renildo Calheiros (PCdoB) indicar. De todos os políticos que conheci na vida, nenhum é mais decente do que Renildo, que hoje não é apenas meu amigo, é meu irmão”.

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