Henrique Meirelles
Henrique MeirellesFoto: Agência Brasil

Contrariando as expectativas da nação, o presidente Temer descarta a hipótese da renúncia para abreviar a crise em que atirou o país por causa do amigo Eduardo Cunha. Renúncia é ato unilateral de vontade, porém é preciso encarar essa negativa com cautela tomando como base os precedentes dos ex-deputados Pedro Corrêa, Severino Cavalcanti e do próprio Eduardo Cunha. Os três se envolveram em crises menos graves, disseram que a palavra “renúncia” não constava do dicionário deles, e logo depois renunciaram. É claro que Michel Temer gostaria de ficar no cargo até o término do seu mandato. Mas se a crise política não arrefecer, como tudo indica que não arrefecerá, ele será levado à renúncia por falta de governabilidade. Este, aliás, seria o caminho menos traumático porque ensejaria eleição indireta para a escolha do seu sucessor. Lembrando que há à disposição da Pátria dois nomes de estado: Nélson Jobim e Henrique Meirelles.

Da quota do presidente
Raul Jungmann aproximou-se muito de Michel Temer depois que foi convidado por ele para o Ministério da Defesa e por isso decidiu ficar no cargo, contrariando o desejo do seu partido (PPS). Jungmann faz questão de dizer que entrou no governo pela “quota pessoal” do presidente e não como representante do PPS, que tem apenas sete representantes na Câmara Federal.

Delação 1 : O que levaria um dos homens mais ricos do Brasil (Joesley Batista), que se tornou bilionário com ajuda de um banco oficial (BNDES), a pedir audiência ao presidente da República e, com um gravador escondido no bolso, gravar o diálogo e entregar o áudio à Polícia Federal e ao Ministério Público? Em português claro, isto se chama “mau caratismo”.

Delação 2 :
 A atitude de Joesley Batista pode ser comparada à do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que gravou Sarney, Renan e Romero Jucá, até então seus amigos inseparáveis, e depois entregou o áudio ao Ministério Público. Sarney o definiu como “monstro moral”.

2º plano : A ascensão de Temer ao centro da crise que paralisou o Congresso e deixou perplexa a classe política colocou o tríplex do Guarujá em 2º plano. Lula saiu momentaneamente dos holofotes, mas a sentença do juiz Sérgio Moro deverá ser conhecida antes do final de junho.

À deriva : Do ex-governador Roberto Magalhães com seu olhar crítico sobre a crise política: “É preciso buscar uma saída para o país porque a economia não pode ficar à deriva. O problema é que os grandes políticos que poderiam apontar uma saída estão fora de combate: ele próprio, Marco Maciel, FHC, Célio Borja, Pedro Simon, Nélson Jobim, José Sarney, Tarso Genro, etc.

Exclusão :
Se, como dizia Tancredo Neves, “política é destino”, o prefeito de São Paulo, João Dória, deve se preparar para voos maiores. Só resta ele no PSDB para 2018 depois que Alckmin passou a ser “investigado” pela Lava Jato e Aécio virou pó na delação de Wesley Batista.

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