Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

Não foi a primeira vez que escolheu-se, em Pernambuco, um segundo colocado da lista tríplice para assumir o cargo de procurador-geral de Justiça do Estado. Paulo Varejão estava nessa condição quando foi o preferido de Eduardo Campos para exercer a função. O mesmo ocorreu, ontem, quando Paulo Câmara optou, entre os três nomes que lhe foram apresentados, pelo de Francisco Dirceu Barros, como antecipamos em primeira mão, no início da noite de ontem. O fato de não ter elegido o primeiro da lista pode render ao governador algum ônus com a categoria, que valoriza uma tradição de priorizar o mais votado. Nacionalmente, a escolha do governador repercutiu de forma polêmica por ter sido Dirceu o autor do áudio que vazou, recentemente, no qual ele defende a incorporação do auxílio-saúde como um "gatilho" para o caso de o auxílio-moradia ser proibido e dá opção de "agilizar esse projeto de auxílio-saúde e a gente não colocaria nem valor para não dar esse escândalo todo social". Pela votação que teve Dirceu, no entanto, a tese dele, nem de longe, foi reprovada pela categoria que, no mínimo, à boca miúda, defende o mesmo. Ontem, nos bastidores, havia quem definisse como "cinismo coletivo" o fato de a maioria silenciar sobre a verba questionada no Supremo, ainda que não a devolva quando a recebem hoje. O formato adotado por Dirceu para defender a causa, no entanto, soou tortuoso, partindo de uma entidade com o peso do Ministério Público. O promotor, na gravação, sugere um artifício legal para que o benefício continuasse sendo recebido, numa espécie de drible à decisão do Supremo. A visão corporativista, entretanto, não foi repudiada, mas prestigiada pela classe, a despeito da repercussão nacional em torno do assunto, como se simbolizasse a fragilidade, cada vez maior, das instituições.

Entre as conquistas
Francisco Dirceu não aponta a questão do auxílio-moradia como uma bandeira responsável por sua vitória. "Não foi o auxílio-moradia que motivou", observa ele à coluna e completa: "São várias propostas que vinham sendo debatidas há 17 anos". Ele trabalhou, por exemplo, para que promotor pudesse ser procurador-geral de Justiça. O primeiro eleito foi Aguinaldo Fenelon.

Outros tinham > Franciso Dirceu admite ter introduzido o debate do auxílio-moradia no Estado. "Quem trouxe para Pernambuco fui eu mesmo". E contabiliza: "Estamos com desfasagem salarial muito grande de subsídio. Há mais de seis anos não tem esse reajuste e o Brasil todo começou a ter auxílio-moradia. Pernambuco foi dos últimos".

Casa de Ferreiro > Dirceu defende "choque de austeridade" em sua gestão, cobrança do "dever de casa" e "ajuste das contas", mas poderá ter dificuldades para cobrar, uma vez que ele mesmo sugeriu drible no Supremo, no caso de o auxílio-moradia ser proibido.

Retorno > Vice-governador do Estado e presidente estadual do PMDB, Raul Henry está em férias e sem celular para comunicação. O deputado federal Jarbas Vasconcelos atribui ao dirigente a missão de bater o martelo na indicação para pasta de Desenvolvimento Econômico.

Cota do PMDB > Jarbas admite que o espaço vai ser do PMDB, como a coluna cantou a pedra ainda em novembro. Uma vez que Fernando Dueire não aceitou a missão, o deputado defende que se indique outra pessoa para que o assunto seja resolvido.

Missão > A reunião que Paulo Câmara teve com Isaltino Nascimento, anteontem, foi difícil, segundo um palaciano. Não foi fácil para o governador dar um "não" ex-secretário de Desenvolvimento Social, que não escondeu interesse em permanecer.

Nem tanto > O almoço de Rodrigo Maia com a bancada pernambucana, amanhã, será às 13h, no JCPM, no Pina. Ainda que, a pedidos, tenha ajudado a alinhar detalhes da agenda, Tadeu Alencar grifa que isso não significa que o democrata seja o candidato preferencial do PSB.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: