Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

A “foto” se deu na presença de três ministros do governo Michel Temer: Bruno Araújo , Mendonça Filho e Fernando Filho. Na passagem pelo Recife, Rodrigo Maia não cravou que é candidato à presidência da Câmara Federal, como também não se posiciona como uma candidatura apoiada pelo Planalto, mas a mensagem ficou clara para a bancada pernambucana: o jogo está jogado. O democrata é o postulante da confiança do governo, que, em tempo de instabilidade, de crise institucional, terá a faculdade de receber ou não pedidos de impeachment, num tempo em que se cogita de um tudo, seja eleição direta, indireta ou até mesmo nada. Maia foi o presidente que pautou o pacote anticorrupção. No bojo, constava o polêmico quesito do abuso de autoridade para membros do Ministério Público e magistrados. Na saída do almoço, que deu-se a portas fechadas, a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, recebia os parabéns por ter lembrado, em seu discurso, que Rodrigo dera uma demonstração de força, quando pautou o abuso de autoridade.

"Foi um marco da gestão dele", classificara a comunista, cujo partido não definiu posição ainda, mas que tem, em sua dirigente, alguém que aprova a postura de Maia diante da crise de representatividade da classe. Maia conta com votos no PT e no PCdoB, o que, na ponta do lápis, esvazia uma postulação da oposição, no caso a de André Figueiredo, do PDT. Do "centrão", partem as candidaturas de Rogério Rosso e Jovair Arantes. Mas o bloco, antes comandado por Eduardo Cunha, passou a ser uma "linha imaginária", que, às vezes, se une, às vezes, desune e o governo, de bom trânsito no Congresso, deverá jogar todas as suas fichas nesse processo.

Maia: "Não tenho problema jurídico"
À coluna, Rodrigo Maia disse o seguinte: “O jurídico eu tenho certeza que não é o problema. Não tem nada escrito na Constituição que diga que quem for presidente de um mandato suplementar está vedado de ser candidato novamente. O regimento não trata disso". E arremata: "Minha preocupação é política, é formar arco de aliança". Sendo assim, é mais fácil ainda o governo agir em seu favor e há tal disposição, embora ele negue.

Jurisprudência> As reeleições do presidente da Alepe,Guilherme Uchoa, foram citadas como exemplo no encontro com Rodrigo Maia, como sinal de que a questão jurídica não é obstáculo. "Temos, em alguns estados, presidentes de Assembleias, há 10 anos, no poder", introduzira o deputado federal Heráclito Fortes (PI).

No Judiciário > Indo ao Judiciário, Heráclito também achou um exemplo similar. O ex-presidente do STF, Ricardo Lewandowski, ocupou interinamente, a presidência do Supremo e, na sequência, foi eleito presidente por dois anos.

Não é de hoje > Um dia após a PGR instaurar procedimento administrativo para apurar a situação do sistema penitenciário de PE, o deputado estadual, Álvaro Porto, resolveu sugerir que a PGR viesse a intervir na segurança estadual como um todo. "A situação está fora de controle faz tempo".

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