Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

Os 83 pedidos de abertura de inquérito, apresentados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, marcam o início das diligências, que podem levar o Ministério Público a oferecer denúncias posteriormente, ancoradas em acusações formais, as quais poderão ou não serem aceitas pelo Judiciário. Em outras palavras, a atual "lista de Janot" pode zerar o jogo entre os partidos políticos para 2018, uma vez que o PT, que vinha se posicionando como alvo de perseguição, agora, vê, na mesma situação, membros de várias outras legendas. Como parâmetro de tempo, o inquérito de Fernando Bezerra Coelho, na primeira lista de Janot, foi aberto em 12 de março de 2015 e a denúncia de Janot contra o senador só foi oferecida em 3 de outubro de 2016. E, até agora, a mesma ainda não foi recebida pelo Supremo Tribunal Federal e FBC não se tornou réu. Na mais recente lista de Janot, aparece o nome de, pelo menos, um pernambucano: o ministro das Cidades, Bruno Araújo. O tucano tem nome cotado para disputar cargo majoritário no Estado no ano que vem, assim como Lula - também alvo de pedido de inquérito - figura como presidenciável. Há quem aposte que essa nova listagem provocará "vendaval" na arena política, mas levando em consideração o tempo médio para uma denúncia ser aceita, é razoável supor que qualquer pernambucano candidato em 2018 conte prazo relativamente elástico até que haja decisão do STF.

Inquérito é o início da investigação.
Candidatos que disputarão no ano que vem contam com um prazo que pode ser elástico

Menos de um mês depois
Entre os nomes que figuram na lista de Janot, consta o do senador José Serra. Pouco depois de ele ter pedido para deixar o ministério de Michel Temer, aliados comentavam, ns coxias, que a expectativa em torno da Lava Jato teria agravado seu estado de saúde e somado para sua decisão de pedir afastamento.

Azedou > O ex-ministro Aldo Rebelo tinha relação próxima com o ex-governador Eduardo Campos, mas depois que disputou a vaga no TCU com Ana Arraes, ainda em 2011, as coisas não foram mais as mesmas, lembram alguns socialistas. Aldo teve conversas com lideranças do PSB considerando ingressar na sigla.

Em comum > No último sábado à noite, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, esteve com Michel Temer e colocou, ao peemedebista, os pontos que o PSB discorda na Reforma da Previdência. A interlocutores, o dirigente tem dito que o PSB vai completar 70 anos e que não há perigo de se desviar da rota do campo de centro-esquerda. A postura pode servir como aceno a Aldo Rebelo. Siqueira, inclusive, já foi comunista, do antigo PCB.

A conta > Vice-governador de Pernambuco e correligionário de Temer, Raul Henry tem a seguinte avaliação da Reforma da Previdência: "A gente tem que começar do fim. A receita tem que pagar a despesa". E inadaga: "Agora, como a gente dentro do projeto faz isso da maneira mais justa possível?"
Tem, mas não tem > À coluna, Raul prossegue: "Hoje, a previdência caminha para insolvência. Ou se repactua receitas e despesas ou quebra. Vai ficar como o Rio de Janeiro que o cara tem dinheiro a receber no contracheque e não recebe".

Quem paga > "Se alguém está recebendo, é porque alguém está pagando. E essa conta tem que fechar. Agora, como vai fechar, quem vai pagar mais ou menos é um questão de mérito importante para discussão". E arremata: "Esse é um pacto entre gerações".

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