Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

Depois que a relativização do caixa 2 ganhou eco na voz de várias lideranças políticas, movimento que culminou com o presidente do TSE, Gilmar Mendes, pontuando que pode haver caixa 2 sem corrupção, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, admitiu, ontem, que a Casa pode voltar a tentar legislar em causa própria, prática que, vez por outra, se repete. Se antes, PT e PMDB eram os alvos centrais da Lava Jato, agora, o risco é de que uma unanimidade política se vire contra a Operação. E, nesse momento, onde parlamentares falam em evitar uma "padronização", o que poderia equivaler, em outras palavras, a fomentar a impunidade, o dirigente da Câmara cogita pautar a anista ao caixa 2. "Seria um sucicídio coletivo", adverte, de antemão, o deputado federal Jarbas Vasconcelos. Ele ainda não foi consultado sobre o tema, mas não aposta que, em momento tão inoportuno, isso terá prosseguimento. "Duvido muito que metade da Câmara esteja com tendência a defender isso", adianta ele à coluna. E crava: "Lógico que ninguém vai botar a carapuça". Ou não. Há mais de uma semana, ainda sob expectativa da lista de Janot, várias lideranças políticas, a propósito, ensaiaram vestir a carapuça, enquanto iam tirando, em teses diversas, o caixa 2 por menos. Ainda em setembro, dera-se uma manobra na Câmara Federal, em sessão, presidida, então, pelo primeiro-secretário, Beto Mansur, quando se incluiu na pauta projeto que anistiava o caixa 2. A ideia era torná-lo crime para que, a partir dali, o que ficou para trás deixasse de ser. Sob pressão, Mansur retirou o mesmo de pauta. Trazer o assunto à tona de volta seria legislar em causa própria e vestir a carapuça, mas não seria a primeira vez que o Congresso o faz, mesmo diante de um eleitorado cada vez mais impaciente.

Jarbas não acredita que parlamentares irão "botar a carapuça"

À mesa com Maia
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, almoçou, ontem, na casa do deputado federal Wolney Queiroz. Foram à mesa: Aldo Rebelo, Orlando Silva, Valadares Filho, João Fernando Coutinho, Weverton Rocha e o jornalista Bosco Rabelo, ex-diretor do Estadão. Não se tocou no assunto de migração de Aldo para o PSB.

Satisfeito > O menu, oferecido por Wolney, foi buchada de bode e carneiro assado. Resultado: Maia saiu direto para o almoço que ofereceria, em sua residência, em homenagem aos 50 anos de vida pública de Marco Maciel e restringiu-se a só comer alface. Mas o que anda mesmo dando indigestão no presidente, segundo comentam parlamentares, é esse debate do caixa 2.

Não deu > Poucas semanas após assumirem cargos de confiança na gestão do procurador-geral de Justiça do MPPE, Francisco Dirceu Barros, os ex-procuradores Aguinaldo Fenelon e Carlos Guerra pediram exoneração das funções que ocupavam.

Gilmar no LIDE > Ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar Mendes virá ao Recife para evento do LIDE Pernambuco. O deputado federal Jarbas Vasconcelos ficou de intermediar o convite e acionou o ministro da Defesa, Raul Jungmann, que, ontem, informou ao peemedebista sobre a resposta positiva de Gilmar que virá palestrar em uma segunda-feira.
Linha direta > O deputado Marinaldo Rosendo procurou o ministro da Defesa, Raul Jungmann, para tratar de possíveis parcerias diretas entre os municípios e o Governo Federal relativas à Segurança Pública. O tema ainda está sendo estudado pela Defesa, mas o parlamentar acredita que o ministério poderá contribuir em ações como aparelhamento das guardas municipais.

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