Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

O financiamento público é uma bandeira antiga de alguns partidos, a exemplo do PT e do PCdoB, mas diante do cenário de desgaste generalizado que atinge diversas siglas - situação agravada pela "lista de Janot" - acabou virando uma causa com apoio amplo entre governistas e oposicionistas, uma tese comum. O detalhe é que essa alternativa, acompanhada de lista fechada tem sido vista por muitos parlamentares, nos bastidores, como uma fórmula, que alguns encontraram, de se esconder atrás das legendas por medo de não se eleger via voto direto. A lista tem sido apontada, nas coxias, como uma estratégia para se reduzir o risco de perda do foro privilegiado. A lógica que predomina, em conversas reservadas, é a de que, assim, seria mais fácil ter sucesso nas urnas, uma vez que o voto seria depositado no partido. Por outro lado, já se recorda, entre os congressistas, que no auge de Eduardo Cunha, enquanto presidente da Câmara Federal, ele tentou aprovar o voto majoritário e não conseguiu. A estratégia baseava-se no raciocínio de que seria mais provável uma pessoa com mandato se reeleger do que um marinheiro de primeira viagem sair vitorioso. Se não houve consenso, a lista fechada seria outro resultado difícil de se alcançar. E, caso não haja entendimento, quem pode acabar dando a última palavra é o TSE.
O apoio à lista fechada, que não existia em tamanha proporção, virou predominante
Ninguém quer
"Quem é doido de doar dinheiro de campanha eleitoral?, indaga o senador Humberto Costa à coluna. E prossegue: "Até o dinheiro que é dado, oficialmente, pela lei, pode, em algum momento, ser considerado propina. Quem é que vai querer dar dinheiro a ninguém?". Humberto defende o financiamento público como saída, mas considera a possibilidade de lista aberta.
Matemática > Humberto Costa sugere que se faça a conta de 27 estados, um Governo Federal, cinco mil prefeituras, incluindo, no cálculo, a prática de corrupção. "O que sai mais barato? É lógico que o financiamento empresarial termina se tornando mais caro do que o financiamento público", concluiu. "Não precisa, necessariamente, ser lista fechada", pondera.
Ninguém pede > Presidente estadual do PP, o deputado federal Eduardo da Fonte tem feito a pergunta inversa a de Humberto. "Quem é doido de pedir dinheiro de campanha? Depois de doar, se for pessoa física, a Receita liga, na mesma hora, para investigar o imposto de renda da pessoa que doou", adverte. "Mais doido é quem pedir", crava.
Quem cala > A PCR ainda não enviou ao gabinete do vereador Ivan Moraes as respostas sobre os cachês de artistas atrasados e os critérios para cessão de espaços públicos à iniciativa privada no Carnaval. O primeiro pedido teve prazo vencido no dia 20 do mês passado. E o segundo, no último dia 1°. Ivan registrou o desrespeito ao Legislativo na tribuna da Casa.
Reforma 1 > Pedro Henrique Reynaldo comemora a conclusão dos trabalhos à frente da Comissão de Elaboração de Proposta para a Reforma Política. A partir das proposições aprovadas pela OAB, foi entregue, à Câmara, um manifesto no qual um dos pontos é o fim da reeleição no Executivo.
Reforma 2 > “Acredito que a realização de eleições periódicas, em momentos distintos para cargos municipais em relação aos estaduais e federais, propicia um melhor equilíbrio de forças políticas”, explica Reynaldo.

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