Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

A estratégia é tirar a lista de Fachin da ordem do dia. Não é a maioria do Congresso que aparece citada, mas se o parlamento já andava com a legitimidade abalada, as delações da Odebrecht, com direito a vídeos que tornam as trocas de favores entre políticos e a empreiteira ainda mais explícitas ao eleitor, vieram para aprofundar a crise. Ontem, vários telefonemas foram dados; o Planalto partiu para o corpo a corpo e começou a convocar deputados da base para uma café da manhã na próxima terça-feira. Na pauta: a Reforma da Previdência. O encontro está marcado para as 8h30. No mesmo dia, o relator da referida reforma, Arthur Maia (PPS/BA), apresenta seu relatório. A regra é colocar o jogo para seguir, mas a dúvida de vários parlamentares é a seguinte: como convencer o eleitor, a essa altura do campeonato, de que, diante dos últimos fatos, o governo ainda pretende mexer em alguns direitos seus. A previsão, entre ministros e integrantes da base, era de que o processo de votação da Reforma da Previdência tivesse início no dia 18, exatamente a data que Temer escolheu para ir à mesa com parlamentares, em mais um esforço para convencê-los a aprovar a reforma. Além de dar uma resposta ao mercado através da pauta reformista, virar a agenda é uma forma ainda de diluir o peso das delações dos executivos da Odebrecht, o que pode acabar funcionando como uma cortina de fumaça no atual momento.

Se a votação da previdência já estava prevista para o dia 18, a lógica segue.
O Planalto trabalha para imprimir tom de normalidade

O day after da lista
Um dos parlamentares da base, resistentes à reforma, diante do convite do Planalto, sapeca: "Temer quer vender esse peixe estragado da Semana Santa". São 40 deputados citados na lista de Fachin, número que representa minoria na Câmara, assim como a quantidade de senadores, 24, também é minoria na Casa Alta, mas o efeito das delações respinga sobre o conjunto.
De quebra > Além da previdência, a intenção de fazer a pauta girar no Congresso inclui articulações da Reforma Trabalhista. Na quarta, o relator, Rogério Marinho (PSDB/RN), apresentou parecer preliminar na comissão que debate o tema.
Anfitrião > Mesmo integrando um partido da base do governo, o deputado Álvaro Porto tem sido um assíduo participante das caravanas da oposição, no interior do Estado. Na próxima semana, a bancada leva o Pernambuco de Verdade ao Agreste Meridional, terra de Porto, que promete estar presente mais uma vez, desta vez como anfitrião.
Vacina > Assim que seu nome apareceu entre os vazamentos, quando Rodrigo Janot encaminhou a lista com pedidos de inquérito ao STF, relativa às delações da Odebrecht, o ministro Bruno Araújo foi um dos primeiros a emitir nota se posicionando, antes mesmo da divulgação oficial, que só ocorreu na última terça.
Audiovisual > Ontem, de posse dos vídeos, vinculados ao inquérito 4.391, Bruno encaminhou nota, a qual anexou as falas dos executivos, Cláudio Melo Filho e João Pacífico, e grifou que sua relação com a empresa fora definida pelos delatores como "puramente institucional, sem qualquer contrapartida".
Antes que digam > Ainda em 14 de março, o tucano registrara ter solicitado doações a várias empresas "de acordo com a legislação eleitoral", confirmando ter requisitado à Odebrecht. Dados apresentados pelos delatores apontam pagamentos de
R$ 300 mil em 2010 e, em 2012, de mais R$ 300 mil.

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