Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

Em meio ao tsunami que atingiu a classe política no País, após a divulgação da lista de Fachin, em Pernambuco, alguns movimentos sutis vão se desenhando discretamente. Nos últimos dias, a CUT enviou carta a um dos deputados federais do PSB, Danilo Cabral. No texto, assinado pelo presidente, Wagner Freitas, a Central agradece o voto do socialista contra o projeto da terceirização: "Seu esforço foi fundamental para constranger parlamentares que, na noite do dia 22 de março de 2017, jogaram uma pá de cal nos direitos trabalhistas". No bojo da carta, a CUT solicita voto contra as reformas trabalhista (PL 6787/16) e previdenciária (PEC 287/16), sobre a qual Danilo vem assumindo postura crítica. A CUT é entidade ligada ao PT, que vive momento de distanciamento do PSB, há alguns anos. A esse gesto da CUT com o socialista, soma-se uma iniciativa da Fetape, entidade de relação com o PT, que promove audiência pública, na Assembleia Legislativa, para discutir a reforma da previdência, na segunda-feira (17), e cuidou de convidar socialistas para debaterem o assunto. No momento em que o senador Armando Monteiro Neto, antes aliado do PT, parece trilhar um caminho na direção de PSDB e DEM, rumo a 2018, o PT e o PSB parecem arriscar um contraponto em meio a troca de gestos mútuos.

Teve quem vibrasse
Por Brasília, nos corredores, deputados revelam ter vibrado quando viram que alguns, a exemplo de Paulo Rubem Santiago e Onyx Lorenzoni (DEM/RS), apareceram na lista de Fachin. "Paulo Rubem pagou pela língua. Posar de vestal, como ele posou, e tirar onda...", disparou um, referindo-se ao fato de o ex-deputado, recém filiado ao PSOL, ter, nas redes, sapecado o seguinte: "Pernambuco está bem representado no time a ser investigado". Paulo o fez antes de saber que seu nome também integrava a relação.

Feitiço > No caso de Onyx, ele foi o relator do projeto sobre as medidas de combate à corrupção, é um dos integrantes da chamada "bancada ética". "Se posicionava como vestal, jogou a Câmara contra a sociedade", criticou outro deputado federal, em reserva. O gaúcho será investigado por falsidade ideológica eleitoral, e teria recebido R$ 175 mil para a campanha de 2006.

De anos > Durante depoimento, um dos delatores da Odebrecht, João Pacífico, descreve a relação antiga da empresa com Pernambuco, grifando que o fundador, Norberto Odebrecht, é pernambucano. Daí, contextualiza que tem relação próxima a muitos políticos, quando cita, entre os exemplos, José Chaves e Jarbas Vasconcelos.

Motivações > Pacífico, indagado sobre a razão de ter doado ao peemedebista, responde que não havia interesse específico em alguma obra ou projeto, era alguém com quem ele tinha relação de longa data, sublinha conhecê-lo há mais de 30 anos.

Exterior > Ministro das Cidades, Bruno Araújo, que se posicionou, ao longo da semana, por mais de uma vez, após ver nome na lista de Fachin, se encontrava em Lisboa.

Ângulo > O twitter do MPCO reproduziu a seguinte frase do procurador da República, Deltan Dallagnol: "Não vamos desistir do nosso País. Eu decidi não desistir". O texto é similar ao empregado por Eduardo Campos na última entrevista ao Jornal Nacional. O ex-governador é citado por delatores, inclusive por Marcelo Odebrecht.

Ampulheta > Nas coxias, políticos pernambucanos citados na lista de Fachin dizem que já esperavam. Há quem ache até que demorou demais para sair.

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