Renata Bezerra de Melo
Renata Bezerra de MeloFoto: Colunista

Ainda ontem, o deputado federal Jarbas Vasconcelos foi à mesa com Roberto Pandolfi e Fernando Duere. Ligados a ele, os dois figuram nas planilhas da Odebrecht como intermediários das doações feitas pela empreiteira ao peemedebista. A ambos, o ex-governador deixou claro o seguinte: “Para mim, não é suficiente ficar só amparado pela prescrição. Quero que fique esclarecido que pedi, recebi. Não existe mais isso (financiamento privado). Não dá para receber coisa que é ilegal. Mas, na época, era permitido”. Na explanação, Jarbas recordou o que definiu como “aquele massacre que sofri no enfrentamento com Eduardo Campos”. Refere-se a 2010, ano ao qual está vinculada a doação de R$ 2 milhões, que teria sido feita pela Odebrecht sem ser contabilizada, o que configura o chamado caixa 2. Naquele ano, o peemedebista fazia oposição, no Recife, ao ex-prefeito João Paulo, no Estado, ao governador Eduardo Campos, por quem foi derrotado na disputa pelo Palácio das Princesas, e, no plano federal, a Lula. “Em todos os níveis, eu fazia oposição. Quem ia financiar minha campanha? Com qual dinheiro?”, indaga ele. E prossegue: “Se agarrar à prescrição é muito ruim. Tem que ver o conteúdo disso. No meu caso, estou interessado em explicar, em tornar transparentes as coisas que fiz e não em ser beneficiado pela prescrição”. À coluna, Jarbas insiste: “Não quero ser salvo pela prescrição. Quero que meu processo avance e que eu tenha condições de mostrar que recebi contribuição legal“. Então, desabafa: “Ninguém me ensinou a fórmula mágica de fazer campanha sem dinheiro”. Em seu despacho, o ministro Edson Fachin pede que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se pronuncie sobre eventual extinção do delito, uma vez que, a partir dos 70 anos, a prescrição de um delito é contada pela metade do tempo. Para caixa 2, a pena máxima é de cinco anos, com prescrição em 12 anos. No caso do peemedebista, a pena estaria prescrita em 2016.

Jarbas prefere que o processo corra e vai conversar com o advogado na segunda

Placar de 2010
Naquele ano, Eduardo Campos obteve 3.450.874 votos e Jarbas Vasconcelos acabou com 585.724 votos. Em razão disso, o ex-governador define o referido pleito como um “massacre”.

Check-in > Jarbas retornou recentemente da Colômbia, onde passou quase uma semana. Em razão da viagem, não esteve no café da manhã que Michel Temer ofereceu na terça-feira.

Déficit 1 > O deputado federal Tadeu Alencar discorda que exista um déficit da Previdência, motivo usado amplamente pelo governo para justificar o texto da PEC 287. Tadeu diz que especialistas da própria Fundação João Mangabeira, do PSB, apontam superávit nas contas da seguridade social - que envolve previdência, assistência e saúde. “Em 2015, foram arrecadados R$ 700 bilhões, e gastos R$ 680 bilhões”, grifa o socialista.

Déficit 2 > Tadeu diz que em uma conversa de mais de uma hora com o presidente Michel Temer, em janeiro, teve a oportunidade de dizer que o Governo precisa de agendas que o aproximem da sociedade e não de uma pauta hostil, como a que está aí.

Déficit 3 > “Eu disse ao presidente que, apesar de ter chegado ao poder por um mecanismo legal, o seu governo tem um déficit de legitimidade. Por isso precisamos de coisas que dialoguem com o futuro do Brasil, que a sociedade perceba que o Congresso está trabalhando e fazendo coisas em favor do País”, registra.

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