Mendonça Filho, ministro da Educação
Mendonça Filho, ministro da EducaçãoFoto: Valter Campanato/Agência Brasil

Pernambuco ainda tem quatro ministros na Esplanada, mas a permanência deles - após uma situação de "não sei se vou, ou se fico", protagonizada, na quinta (18), por parte de alguns - já não se dá no mesmo clima. Agora, eles figuram como membros de um Governo Federal em condição precária, respirando por aparelhos. No Estado, a nova condição dos ocupantes da Esplanada pode gerar mudança na correlação de forças com o governo Paulo Câmara. Uma quebra de braço entre auxiliares pernambucanos de Temer e a gestão socialista já não era mais disfarçada. O quarteto, inicialmente, chegou a ser batizado de G4, numa referência a um novo campo de forças que estaria disposto a polarizar com a administração do PSB, descentralizando o polo de poder. Ao longo do dia de ontem, dois deles, em hora nenhuma, cogitaram deixar a gestão Temer, a exemplo de Fernando Filho (Minas e Energia) e de Mendonça Filho (Educação). Enquanto os outros dois, Bruno Araújo (Cidades) e Raul Jungmann (Defesa) cuidaram de ratificar, à noite, que permaneceriam à frente de suas pastas, depois de terem corrido informações, durante a tarde, dando conta de que eles entregariam os cargos. No caso do tucano, a nota, na qual ele confirma que ficará, grifa um detalhe: "a pedido do PSDB". Diante do climão gerado, um interlocutor do Palácio das Princesas não hesitou em comparar: "No primeiro tiro que o navio leva no casco, pula logo para se salvar". Em meio ao contexto de instabilidade que contamina a situação dos ministros, eles, agora, seguem em posição menos confortável do que a de Paulo Câmara, que vinha sendo posto na berlinda em meio a um debate eleitoral já antecipado, no qual o antigo G4 já mirava em projeto majoritário para 2018. O jogo segue, mas, agora, esse outro polo de poder já não parece mais tão firme assim na estrutura que, outrora, lhe dera dimensão.

Sobre a justificativa

Ainda que Roberto Freire, também pernambucano, tenha deixado o Ministério da Cultura, o ministro Raul Jungmann decidiu ficar no posto e, a interlocutores, ao tomar a decisão, argumentou o seguinte: "O Ministério da Defesa não é um ministério político, é de Estado e, portanto, essencial para a ordem e estabilidade do País".

Não quer nem ver : Fernando Filho não vai para a reunião extraordinária da Comissão Executiva Nacional do PSB, convocada para as 10h de amanhã, pelo presidente Carlos Siqueira.

Presságios : Com o climão instalado, aliados de Fernando Filho já avisaram que ele não vai ao encontro partidário por uma razão: "Nessa reunião, todo mundo já sabe o que vai acontecer".

Azedou mais : Ontem, Fernando Filho adotou o silêncio, mas, a pessoas próximas, demonstrou insatisfação em relação ao fato de Carlos Siqueira ter soltado nota, recomendando que ele deixasse o cargo, antes mesmo de conseguir falar com ele.

Bombeiro : Paulo Câmara ouviu Siqueira ao telefone. Depois, tratou de entrar em contato com Fernando Filho a quem pediu "serenidade" e "paciência", sob argumento de que é preciso conhecer o inteiro teor dos fatos. A interlocutores, advertiu que não era bom precipitar as coisas e admitiu que a reunião do PSB pode ser fator de mais tensionamento.

Magistrados :
Em nota, a Associação dos Magistrados de Pernambuco defende não existir "cenário político e de normalidade institucional para os debates das Reformas da Previdência e Trabalhista, além colocar em dúvida o contexto de aprovação da recente Lei de Abuso de Autoridade em nosso País".

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