Reunidos em seminário, novos prefeitos denunciaram a caótica situação encontrada
Reunidos em seminário, novos prefeitos denunciaram a caótica situação encontradaFoto: Arthur Mota

A busca pela renovação nas prefeituras levou eleitores de 136 dos 185 municípios pernambucanos a apostarem na renovação do comando das suas administrações, no pleito de 2016. Mas a esperança manifestada nas urnas recebeu um verdadeiro banho de água fria quando os prefeitos eleitos encararam a realidade deixada pelos seus antecessores. 

Salários atrasados, dívidas com fornecedores, computadores com informações apagadas e rede de saúde e educação sucateadas foi o que muitos encontraram. Uma realidade constatada por um levantamento informal do Tribunal de Contas (TCE-PE), que aponta que 82 das 136 gestões renovadas estão com problemas, sendo mais de 50% atraso na folha de pagamento.

Petrolina
Ontem, durante seminário do TCE, o órgão de contas recebeu uma enxurrada de pedidos de auditorias de prefeitos que tiveram problemas ao chegar no Executivo. O gestor de Petrolina, Miguel Coelho (PSB), é um dos que já tinha solicitado uma auditoria externa do órgão e também faz um levantamento pela procuradoria municipal. O gestor afirma que encontrou o arquivo financeiro do município apagado, além de atrasos na folha de saúde e educação. "Tivemos que cobrir buracos para não interromper serviços e prejudicar a população. Esperamos em seis meses colocar as contas em dia", disse.

São Lourenço e Goiana
Em São Lourenço da Mata, o prefeito Bruno Pereira (PTB) só ficou sabendo dos problemas que iria enfrentar ao assumir o governo. Ele afirma que foi notificado que a gestão anterior recolheu dinheiro de empréstimos consignados e não repassou aos bancos, além de receber três folhas de pagamento em atraso. O petebista encontrou R$ 7 milhões da folha atrasada e mais R$ 1.7 milhão de recursos da previdência não recolhidos. Para piorar, afirma que foi informado pela Receita Federal que só restava em caixa apenas R$ 21 mil da parcela de R$ 1 milhão do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) da cidade referente ao mês de janeiro.

Ontem, o prefeito de Goiana, Osvaldo Rabelo Filho (PMDB), solicitou uma auditoria ao TCE e deverá decretar, nos próximos dias, estado de calamidade pública. O gestor afirma que encontrou um rombos de R$ 28 milhões na previdência municipal, mais R$ 15 milhões em precatórios e R$ 12 milhões com o pagamento da folha dos servidores. Até mesmo a coleta de lixo teve que passar por um acordo com a empresa responsável para manutenção do serviço, pois existe débito de R$ 480 mil do antecessor.

Itaquitinga e Altinho
Uma semana antes da sua posse, o prefeito de Itaquitinga, Dr. Geovani (PMN), já teve uma amostra do que teria pela frente. A energia do município foi cortada por débitos com a Celpe. Desde o ano passado, o gestor denuncia que não recebeu nenhuma informação durante a transição e, portanto, não tem a dimensão do desfalque nas contas municipais. Para piorar, os computadores da gestão foram formatados e informações sobre a contabilidade apagadas. Um levantamento inicial apontou mais de 400 processos judiciais de funcionários e fornecedores que se sentiram prejudicados.

"Recebemos a cidade sem nenhum veículo rodando e hospital fechado. Hoje já é dia 10 e não tivemos condições de operar nada, até o momento", acusou. O prefeito de Altinho, Orlando José (PSB), também sofre com o desaparecimento de informações nos computadores. Com isso, até agora, está sem saber para onde o ex-prefeito transferiu R$ 250 mil dos R$ 658 mil em recursos de repatriação recebidos pelo município, mesmo com duas folhas de servidores atrasadas. "Ain­da estamos tentando descobrir para onde foi esse dinheiro".

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