Na ocasião, alguns políticos - de ambos os lados - usaram o plenário como palanque para discursar paradoxalmente contra a corrupção e prometer novos rumos
Na ocasião, alguns políticos - de ambos os lados - usaram o plenário como palanque para discursar paradoxalmente contra a corrupção e prometer novos rumosFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O empresário Joesley Batista afirmou em delação ao Ministério Público que o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) pediu a ele, na véspera da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, 16 de abril de 2016, que comprasse 30 deputados por R$ 5 milhões cada um para bloquear o afastamento da presidente.

Segundo depoimento de Batista, Bacelar foi à casa dele no sábado anterior à votação, às 22h30. "Ele disse: nós precisamos comprar os deputados para bloquear o impeachment; aí me mostrou uma lista - 30 deputados, a R$ 5 milhões cada um, a gente bloqueia o impeachment", disse Batista em seu depoimento ao Ministério Público, no dia 3 de maio de 2017.

"Eu disse a ele: olha, 5 deputados por R$ 3 milhões cada, você pode comprar por minha conta...30 eu não dou conta de comprar", continuou o empresário. Ainda segundo Batista, o deputado do PR teria insistido, dizendo que R$ 3 milhões era pouco. Depois, Batista teria pedido a ele a lista, para depois ver na televisão se realmente iriam votar conforme o combinado. Mas Bacelar não deu a ele a lista.

O empresário disse não se lembrar do nome de nenhum deputado da lista. Afirmou apenas que uma delas era uma deputada, que teria sido uma das primeiras a declarar voto contrário à abertura do processo de impeachment de Dilma.

Batista afirmou ter ficado com uma dívida de R$ 15 milhões com Bacelar e com Antonio Carlos Rodrigues, que era ministro dos Transportes e do PR, que teria adiantado os pagamentos. De acordo com o depoimento, Bacelar receberia R$ 11 milhões e Antônio Carlos, R$ 4 milhões. "Esse foi um dos casos que eu interrompi os pagamentos, e o Bacelar me cobra, recentemente paguei 500 mil", disse Batista.

MANTEGA
Batista afirmou que conheceu Bacelar quando o deputado era relator da CPI do Carf, que investigava fraudes nos julgamentos de processos de sonegação de impostos de empresas e bancos. "Eu tinha encontrado o Guido (Mantega, ex-ministro da Fazenda), ele disse que estava com medo da CPI do CARF, que iam aprontar com ele", contou Batista na delação. "Eu fui até ele (Bacelar) e disse: tenho um amigo, o Guido, ex-ministro, tem como vc fazer algo por ele nessa CPI do CARF? Ele disse prontamente sim, tudo bem, o que você quer?"

Batista disse não saber exatamente qual era o problema de Mantega na CPI. Segundo o empresário, Bacelar teria encontrado Mantega em São Paulo e dito que cuidaria do assunto, que evitaria que ele fosse convocado (para depor na CPI).

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