Uma surpreendente boa safra
Safra bordalesa de 2022 foi aclamada pelo crítico enológico James Suckling
Nada preocupa mais um agricultor que o clima (lembrança de meu sogro e sua diária contabilização dos milímetros de chuva). Pensando bem, pode ter coisa mais preocupante: um presidente acusando os produtores do agronegócio de fascistas! Mas deixa esse “cara” pra lá. Em 2022 a França foi castigada por uma onda de calor e seca. Focando na região de Bordeaux, mais famosa produtora de vinhos do mundo, um desastre era esperado.
Uvas pequenas, com bagos de casca grossa, fruta muito concentrada, rica em taninos e com pouca acidez, previam, além de baixa produção, vinhos sem o devido equilíbrio. Mas eis que chegou o momento da prova. “Surpreendente”, expressou a famosa crítica Jancis Robinson. “Excepcional”, segundo Mark Pardoe, Diretor da Berry, Bros & Rudd, secular e charmosíssima loja/importadora de vinhos londrina.
Todos, produtores, críticos, negociantes reunidos em Bordeaux, em torno de garrafas de ótimos vinhos à procura de uma explicação para esse sucesso inesperado. Muitos arriscaram teorias agrícolas, mas uma boa parte dos mais experientes vinicultores apenas respondia: “não sei!” A exemplo de Henri Lurton, do aclamado Chateau Brane-Cantenac em Margaux, um enólogo bem analítico, que sorriu amplamente quando inquirido.
"Eu estudei tudo", disse ele. 'A biologia vegetal, a condição do solo etc. E eu não tenho ideia!' Quem me conhece sabe que sou fervoroso adepto da sinceridade. Portanto, gostei dessa explicação, emprestada de Ariano Suassuna e Chicó – “não sei, só sei que foi assim”! Pois é, amigo, nem sempre temos explicação lógica para as coisas. Mas hoje em dia, temos novidades. Joguei a pergunta “por que a safra de 2022 foi boa em Bordeaux?” para algumas versões de Inteligência Artificial. Todas deram respostas “eloquentes”, mais para aquelas intermináveis laudas do STF, porém nenhuma indo ao âmago da questão (qualquer semelhança não é mera coincidência!). Ficando só a impressão que os viticultores aprenderam a lidar melhor com algumas mazelas do clima. E a rezar!
Concluindo o artigo com dados do famosíssimo crítico enológico, James Suckling, que também aclamou a safra bordalesa de 2022, dando rara nota 100 a alguns vinhos. Veja a lista.
Château d'Yquem (Sauternes)
Château L'Église Clinet (Pomerol)
Château Lafaurie-Peyraguey (Sauternes) Crème de Tête
Château Lafite Rothschild (Pauillac)
Château Lafleur (Pomerol)
Château Latour (Pauillac)
Château Léoville Las Cases (St.-Julien)
Château Mouton Rothschild (Pauillac)
Château Pétrus (Pomerol)
Seu James, tenha dó do sofrido povo brasileiro. Só o cartão corporativo do Palácio do Planalto aguenta pagar essas garrafas! Tim, tim, brinde à vida (e às boas supresas).