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Concursos públicos: como a inteligência artificial pode ajudar nos estudos

Especialistas avaliam os benefícios da IA na personalização, organização e otimização do aprendizado

IA na preparação para concurso, veja como utilizar conforme recomendações de especialistasIA na preparação para concurso, veja como utilizar conforme recomendações de especialistas - Rawpick/Freepik

O uso da inteligência artificial (IA) na preparação para concursos públicos e exames tem transformado a forma como estudantes organizam seus estudos e acessam conteúdos. Ferramentas de IA vêm se destacando por sua capacidade de personalizar o aprendizado, otimizar o tempo e até criar rotinas mais eficazes para os candidatos.

Especialistas avaliam que, quando usada de forma estratégica, a IA pode elevar o desempenho dos estudantes e tornar o processo de preparação mais dinâmico e produtivo.

Paulo Faltay, coordenador do Estopim - Laboratório em Tecnopolítica, Comunicação e Subjetividade da UFPE, enfatizou que uma das principais vantagens da IA é a organização de tarefas repetitivas, que consomem tempo dos candidatos. Segundo ele, a IA é ideal para estruturar rotinas e dividir conteúdos de forma prática.

"A inteligência artificial é muito boa com esse certo auxílio, seja na preparação de uma rotina de estudos, na divisão de conteúdos ou na organização de tarefas em planilhas. Ferramentas de IA poupam muito tempo com tarefas repetitivas e ajudam na organização e produção de materiais de estudo", explicou.

Já Luciano Meira, cofundador da Joy Education, destaca que as ferramentas de IA também oferecem um aprendizado personalizado, adaptado às necessidades de cada estudante.

"A IA tem um papel fundamental na personalização do aprendizado, oferecendo recursos que permitem adaptar o conteúdo de acordo com as dificuldades de cada aluno. Ela consegue identificar padrões, como os tópicos com maior índice de erros, e sugerir materiais específicos para reforço, ajustando o ritmo e a profundidade do conteúdo", afirmou.

Além disso, Meira aponta a utilidade da IA como um "parceiro conversacional", que pode atuar como um “professor rigoroso”.

"É possível submeter redações a grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT, e solicitar feedback sobre originalidade, qualidade do argumento e outros critérios. Essas trocas discursivas são uma base fundamental para a aprendizagem, permitindo que o aluno refine suas habilidades com base em avaliações instantâneas", acrescentou.

Correção
Outra funcionalidade importante da IA é a correção automatizada de exercícios. Segundo Meira, o feedback imediato fornecido por essas ferramentas ajuda os estudantes a identificar e corrigir erros de forma rápida e eficiente.

"Isso facilita tanto a compreensão conceitual quanto a resolução de falhas mais simples, como cálculos errados. A análise preditiva, por exemplo, pode antecipar dificuldades futuras, possibilitando intervenções precoces e ajustes no plano de estudo", pontuou Meira.

Além dos benefícios diretos na preparação, a IA também já é utilizada por bancas organizadoras na formulação de questões e na correção de provas.

"Os formuladores de exames diversos, para concursos inclusive, já utilizam IA como mecanismo de apoio à formulação de questões e correção de redações, com grande sucesso. Sempre que houver supervisão humana, não vejo por que não intensificar esses usos", ressaltou. 

Riscos 
Apesar das vantagens, Paulo Faltay alertou para os riscos do uso inadequado de certas ferramentas de IA, como o ChatGPT, que muitas vezes é confundido com uma ferramenta de busca.

"O ChatGPT é um gerador de texto, não uma ferramenta de busca. Ele pode apresentar respostas erradas e isso é um grande perigo", apontou.

Ele também menciona a existência de ferramentas mais especializadas para pesquisas acadêmicas, que podem ser mais confiáveis para determinadas finalidades.

Outro ponto de atenção é a utilização da IA na correção de provas. Segundo Faltay, a automação na avaliação de redações pode resultar em um modelo padronizado que favorece a repetição de fórmulas em detrimento do pensamento crítico.

"Os critérios de correção são altamente automatizados e padronizados, o que pode premiar a capacidade de gerar textos formulaicos em vez de avaliar a escrita de forma mais ampla", concluiu.

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