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CINEMA

"As melhores histórias estão no cinema de horror": atores falam sobre "Acompanhante perfeita"

Filho de Dennis Quaid e Meg Ryan, ator divide paixão pelo terror com atriz que se define como 'gótica romântica', no filme do diretor Drew Hancock

Jack Quaid e Sophie Thatcher em cena de 'Acompanhante perfeita' Jack Quaid e Sophie Thatcher em cena de 'Acompanhante perfeita'  - Foto: Divulgação

Uma paixão em comum. Foi o que favoreceu o encontro entre o diretor e roteirista Drew Hancock e os atores Sophie Thatcher e Jack Quaid. O trio chegou ontem aos cinemas brasileiros com “Acompanhante perfeita”, longa de terror — com elementos de muitos outros gêneros — que gerou burburinho em Hollywood meses antes de seu lançamento. O cineasta e seus protagonistas conversaram com o GLOBO sobre a paixão pelo cinema de terror e como o gênero é usado para falar de coisas mais sérias e não apenas para assustar.

“Acompanhante perfeita” conta a história de Iris (Thatcher), uma jovem apaixonada pelo namorado, Josh (Quaid). O casal embarca para uma viagem entre amigos que aos poucos vai se revelando um pesadelo para jovem.

— Sou um grande fã do cinema de gênero, da ficção científica e do terror. E não estava recebendo oportunidades nessas áreas — conta Hancock, de 45 anos, que faz sua estreia na direção de um longa após anos trabalhando em séries de TV. — Percebi que, se eu queria trabalhar com o cinema de gênero, precisava escrever algo que trouxesse elementos de tudo o que gostaria de contar. É o motivo de o filme ter tantas mudanças de tom e estilo. Foi a minha tentativa de colocar tudo que amo no cinema em apenas um filme.

 

"Medos coletivos"
O diretor, que cita “A hora do pesadelo” (1984), “O silêncio dos inocentes” (1991) e o clipe de “Thriller”, de Michael Jackson, como obras que fizeram com que se apaixonasse pelo horror, valoriza a forma como o terror “mergulha em nossos medos coletivos” e a experiência proporcionada pelo gênero:

— Não tem nada igual à experiência coletiva de assistir a um filme de terror no cinema, em que todos se assustam ao mesmo tempo.

Conhecido pelo trabalho na série “The Boys” (e por ser filho de Dennis Quaid e Meg Ryan), Jack Quaid lembra que nem sempre foi um fã do cinema de terror. Pelo contrário.

— Costumava ser um cara medroso. No halloween, lembro de ficar com muito medo das fantasias de Ghostface (vilão da franquia “Pânico”) quando era criança nos anos 1990. E depois fui o Ghostface em “Pânico 5”, o que foi uma experiência louca — diz o ator de 32 anos. — No início dos meus 20 anos comecei a me interessar mais por terror. Lembro que amei “Corrente do mal” (2014), porque tinha uma história, não dependia apenas de sustos. Hoje, acho que as melhores histórias estão sendo contadas no cinema de horror. É como se vivêssemos a renascença do terror, e tem sido incrível. É o gênero mais inventivo nos dias de hoje.

O ator ficou interessado no projeto por ser dos mesmos produtores de “Noites brutais”, que descreve como seu filme favorito de 2022. E foi a mesma coisa que atraiu Sophie Thatcher, de 24 anos. A atriz, destaque em produções de terror como “Herege” (2024) e “MaXXXine” (2024), conta que sempre foi fã de filmes e games de horror, como “Alice: madness returns” e “Silent Hill”.

— No geral, me sinto mais atraída às coisas mais sombrias. Amo o terror e como a base de fãs é dedicada. No fundo, no fundo, sou uma gótica romântica que só quer fazer filmes que exploram esse lado mais sombrio das coisas — diz a atriz.

O gênero em tempos de IA
Thatcher destaca que o filme “fala sobre inteligência artificial e sobre como somos dependentes da tecnologia, e como ela pode nos prejudicar nas relações humanas.” Já o diretor explica que precisou lutar contra a vontade primária de colocar a tecnologia como vilã da história, o que também despertou o interesse de Quaid.

— Penso que a tecnologia não é boa ou ruim, tudo depende de como a usamos e de nossas escolhas como pessoas — diz o ator, que espera que o público vá ao cinema sabendo o mínimo possível da trama.

Além dos trabalhos no cinema de gênero, Thatcher é conhecida por interpretar Natalie na popular série “Yellowjackets”. No final do ano passado, a atriz visitou São Paulo para participar de um painel da produção na Comic-Con Experience (CCXP). Ela lembra com carinho, mas lamenta ter passado tão rapidamente pelo Brasil.

— Os fãs brasileiros são tão apaixonados. Foi uma das experiências mais assustadoras da minha vida. É estranho porque sou uma atriz, mas não gosto de falar em público. Prefiro uma conversa no Zoom do que uma plateia de cinco mil pessoas — lembra. — Mas foi incrível. O Brasil é demais e a comida é fantástica. Não consegui explorar muito, mas quero muito voltar.

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